São muito poucos os livros contemporâneos para crianças que oferecem uma abordagem simultaneamente bela, delicada e inteligente ao tema da morte e do luto. Comovente e poético, sem ser lamechas; afetivo, sem ser condescendente; apelativo, sem ser banal – “O urso e o gato selvagem” é uma obra sobre a transição, sobre a dor da perda e sobre a solidão, mas é ainda mais uma obra rara sobre a memória e sobre o poder curativo e regenerador da amizade e da música. Espaços e silêncios enchem de sentido as páginas monocromáticas, em granulosas e subtis tonalidades de negro, branco e cinzento. Apenas as guardas libertam um cor de rosa bombom, que se torna no único e significativo apontamento de cor ao longo das ilustrações, discretamente retro.
Kazumi Yumoto (nascida em 1959) é atualmente uma das poucas autoras/libretistas/compositoras que consegue a proeza de trabalhar com sucesso algumas das mais controversas e difíceis experiências de crescimento do ser humano. Da sua extraordinária parceria com a ilustradora e designer Komako Sakai (nascida em 1966), formada na Universidade de Belas Artes e Música, em Tóquio, resultou este “O urso e o gato selvagem”, cuidadosamente editado pela Bruaá, que é, para nós, muito mais do que livro do ano para público de recepção infantojuvenil. Intenso e inesquecível, este é um livro de sempre e para sempre, para qualquer público e para qualquer idade.
livro “O urso e o gato selvagem”, de Kazumi Yumoto [texto] e Komako Sakai [ilustrações]
Bruaá, 2011
[a partir dos 4 anos]
Paula Pina





