As suas ilustrações cinzelavam personagens e ínfimos pormenores em negros e cinzentos. Graças a ele, as clássicas fábulas e os contos de fadas ganharam corpos e densidades únicas, entre o fascínio e o medo, entre o cómico e o assustador, a emoção da voz contadora concretizando-se e metamorfoseando-se em fantásticas figuras e cenários. Criança prodígio, Gustave Doré (6 de janeiro de 1832 – 23 de janeiro de 1883) fez a sua primeira litogravura aos 12 anos e ainda muito jovem se tornou num dos mais famosos e solicitados ilustradores do seu tempo.
Dizem os biógrafos que não teve uma única lição de arte. Conta-se que, certo dia, ao passar pela montra de uma editora parisiense, ali viu expostas uma série de gravuras; na manhã seguinte, enquanto o resto da família se passeava pela cidade, o jovem Paul Gustave, de 15 anos, fingindo-se doente, decidiu ficar em casa, desenhando. Rapidamente terminou uma série de esboços, encaminhou-se para a loja e, abrindo de rompante a porta do escritório do editor Charles Philipon, ali mesmo se fez anunciar, atirando os desenhos para cima da mesa do espantado editor, afirmando categoricamente: “É assim que aquelas ilustrações devem ser feitas!” E enquanto o talentoso visitante elaborava uma nova série de desenhos a uma velocidade alucinante perante uma audiência boquiaberta de funcionários, artistas, clientes e transeuntes, um surpreendido pai Doré era perseguido pelas ruas de Paris e literalmente arrastado até à loja, de onde só saiu com um fabuloso contrato assinado.
Prolífico e veloz, adorado e criticado, Gustave Doré pegou nas convenções literárias e artísticas vitorianas românticas e ousou transportá-las para um universo pleno de força e de teatralidade, em que o realismo mágico, o grotesco quase mórbido e o sobrenatural impregnam atmosferas e personagens. Ilustrou Balzac, Poe, Chateaubriand, Dante, Cervantes, Milton, Byron, Shakespeare e Dickens, e encontramos a sua Bíblia nas mãos de Tom Sawyer. Mas as imagens que para sempre povoarão o nosso imaginário continuam a ser as que concebeu para as “Fábulas” de La Fontaine e para os contos de Charles Perrault: o Capuchinho Vermelho (enfiando-se na cama, ao lado do lobo com a touca de dormir da avozinha), a Cinderela (experimentando o famoso sapatinho), a Bela Adormecida (mesmo antes de se picar no fuso) ou o Gato das Botas (em altiva pose perante o ogre).
Paula Pina
















Olha a Paula Pina!
Foi por uma apresentação que fez sobre este mesmo tema que me influenciou a fazer a Especialização em Literatura Infantil na UFF (Brasil).
Depois ainda conversamos algumas vezes na Livraria da Travessa!
Tenho adorado este Blog!
Venho sempre espreitar, apesar de ser a primeira vez que comento!
Amanda,
Muito obrigada pelas suas doces palavras, com sabor a Brasil.
Um abraço e até breve,
Paula Pina