“Se a História fosse ensinada em forma de histórias, nunca seria esquecida”. São palavras de Rudyard Kipling, prémio Nobel da Literatura em 1907, nascido a 30 de dezembro de 1865, em Bombaim, Índia. Apesar do sucesso obtido em vida, a obra de Kipling não está isenta de Continue reading →
Como já se tornou um hábito, não poderíamos chegar ao Natal sem dizer “presente!” – por isso, aqui estamos com as nossas escolhas de presentes para distintos gostos e feitios, unidos pelas doses inesquecíveis de magia e beleza que acrescentarão ao sonho das crias que mais amamos. Continue reading →
Depois da exibição em salas nacionais do último filme do realizador Hirokazu Kore-eda, o magnífico “O meu maior desejo”, a Leopardo Filmes recupera agora duas outras notáveis produções do criador nipónico. “Ninguém sabe” e “Andando” (de 2004 e 2008, respetivamente) tiveram celebrada estreia comercial no nosso país, e encontram-se nesta reedição conjunta que enfatiza o Continue reading →
Animada em stop-motion e filmada em 3d, a versão alongada de “Frankenweenie” é uma releitura depurada e maturada dos tópicos burtonianos que já se encontravam bem definidos na sua média metragem homónima de 1984. Jogando com os Continue reading →
As “quatro voltas” do homem inserem-no num quadro global de comunhão com toda a natureza, à qual pertence como elemento possível de uma panóplia de outras criaturas. O ser humano, de Pitágoras a Frammartino, é racional, animal, vegetal e mineral, deslocando-se, num movimento oscilante, por entre os Continue reading →
Dois anos depois da publicação de “Contos do mundo”, a Kalandraka volta a publicar um álbum da mesma dupla de autores – “Não há como escapar e outros contos maravilhosos”. Seguindo a linha do título precedente, trata-se de uma coletânea de dez histórias assinadas pelo contista britânico Tim Bowley e ilustradas pelo galego Óscar Villán. De inspiração no universo das criaturas míticas e fantásticas – a recuperar o imaginário dos folclores escandinavo, eslavo e anglo-saxónico –, esta seleção de contos de pendor quase surrealista é Continue reading →
No cenário idílico e prístino de Pont d’Arc, no sul de França, três exploradores depararam-se, em 1994, com pinturas rupestres de devastadora beleza e inefável relevância histórica. Uma caverna, imaculada pelo gelo cristalino, mantinha intactas as mais antigas memórias figurativas jamais encontradas: as pinturas da Gruta Chauvet seriam datadas com 32 mil anos, o dobro dos registos cronologicamente mais distantes até então conhecidos. Mamutes, bisontes, cavalos, leões ou ursos ressoam na câmara de Werner Herzog como sombras de um Continue reading →
Entre uma ansiedade manifesta, que faz o coração transbordar de tamanha curiosidade, e um silêncio tímido, a expetativa por um Dia da Criança perfeito é comum. Por isso mesmo, e para que com as nossas crias possamos fazer perdurar esta celebração da vida que elas nos acrescentam, aqui se elencam as nossas escolhas de presentes para satisfazer a Continue reading →
Quase todas as crianças gostam de desenhar. Mas há quase sempre uma altura em que começam a espreitar pelo canto do olho e a ver que o colega do lado desenha melhor do que elas. Neste livro, o ilustrador Stéphane Nicolet convida os mais jovens a entrar no seu ateliê e a serem seus aprendizes. O mais importante é a imaginação, claro está, mas Nicolet fornece aquelas dicas que podem fazer a diferença. Aborda e aplica algumas noções fundamentais de desenho e geometria, como escalas, proporções, planos de distância (fundo, horizonte, etc.), ângulos picados e contrapicados, mostrando de uma forma simultaneamente hábil e divertida que as imagens podem compreender vários sentidos e gerar diferentes ambiências conforme o modo como são desenhadas. Transformar um gatafunho num Continue reading →
Na maioria das vezes, a parte mais difícil de escrever uma história é começá-la. Por isso mesmo, Hubert Ben Kemoun dá novamente uma ajuda. Escreveu para rádio e para televisão, mas desde há uns anos que se tem dedicado à literatura infantojuvenil. O seu conselho é válido para pequenos e grandes: escrever tudo aquilo que se vê, tudo aquilo que passa pelos nossos olhos, pelas janelas da nossa alma. Mas neste livro, que se faz cada vez mais livro a cada palavra que nele se escreve, há muito mais do que Continue reading →
Da autoria dos italianos Fabrizio Silei (texto) e Maurizio A. C. Quarello (ilustrações), “O autocarro de Rosa Parks”, editado em Portugal pela Dinalivro, com a chancela da Amnistia Internacional, relata o extraordinário episódio de 1 de dezembro de 1955, protagonizado por uma frágil costureira afroamericana de 42 anos, cujo gesto de digna recusa em ceder o seu lugar no autocarro a um passageiro branco – apenas porque era branco – viria a mudar decisivamente a história do movimento pelos direitos civis dos negros norteamericanos. Depois de ter sido presa, depois do Continue reading →
São escolhas do passado recente, são escolhas de presentes, mas são sobretudo escolhas de futuro. O Natal é só um (feliz) pretexto. Felizes pretextos para os vermos ainda mais felizes. Para concluir este ciclo, as nossas escolhas para a faixa (in)compreendida entre os 9 e os 17 anos, esse período imenso em que as crianças gradualmente acrescentam interesses “adultos” ao seu rol de paixões culturais. Continue reading →
Nós também éramos cinco. É certo que o nosso cão, um rafeiro de pelo preto e feitio abominável, chamado Piloto, não possuía os dotes detetivescos de Tim. Era um perfeito desapontamento enquanto membro do “clube”. Pressentindo decerto o nosso desgosto por não ser também um border collie corajoso, divertido e astuto, limitava-se a ficar no alpendre, em poses de imperador romano coroado, banhando-se ao sol. Para cão de caça, estranhamente, as suas atividades mais enérgicas consistiam em soltar rosnadelas às lagartixas, perseguir a própria cauda, lançar uns latidos gabarolas aos cães da vizinhança, roer uma bota velha ou mordiscar-nos os tornozelos quando não lhe ligávamos. Nada parecido com o inteligente Tim.
Havia depois a comida. Nós, criados de acordo com os melhores princípios da dieta mediterrânica, suplicávamos que nos fizessem um pequeno almoço de ovos com bacon, implorávamos por pickles e sandwiches de pepino ou presunto. Nunca se bebeu tanta limonada. Nunca se saboreou tanta torta de ameixa.
A liberdade e a independência de que gozavam os protagonistas causavam-nos alguma perplexidade e inveja. As viagens, os acampamentos, os espaços e ambientes descritos, as pistas e os mistérios, os perigos e os malfeitores, passavam das cerca de 190 páginas escritas para a nossa imaginação, em ligação direta, apenas com o suporte descompassado das ilustrações a preto e branco de Eileen Soper (1905-1990).
A edição da Editorial Notícias premiava-nos ainda com uma fotografia a cores, na capa, retirada de algum filme ou série que desconhecíamos. Só mais tarde surgiram os episódios televisivos (de 1978), com uma canção cuja letra não entendíamos, mas que cantávamos a plenos pulmões, articulando com toda a convicção fonemas inventados, até chegarmos ao refrão:
We are the famous five:
Julian, Dick and Anne,
George and Timmy, the do-o-o-og…
A Oficina do Livro aposta agora na reedição destes clássicos juvenis de mistério e aventura, escritos por Enid Blyton (1897-1968), em plena II Guerra Mundial (1942). Retirou as ilustrações de Eileen Soper, mas incluiu uma nota de Sophie Smallwood, neta da autora.
Comparando, por exemplo, a edição de 1952 (na tradução de 1977), assinala-se a tentativa de atualizar referências, e simultaneamente, opta-se pela inclusão de elementos que na altura, em Portugal, teriam sido alvo de condenação. Os protagonistas usam agora ténis e calças de ganga, e não calções; a Ana, de dez anos, brinca com peluches ou cartas de paciência, e não com bonecas. Já não recebem, pelo Natal, comboios ou bonecas com olhos que abrem e fecham e que se parecem com a Branca de Neve, mas, em compensação, na edição atual, alguém oferece um canivete de três lâminas ao David, sem censura. Desaparecem fórmulas de tratamento típicas, como “mãezinha” e “paizinho”. Incluem-se nomes de locais recorrendo à designação original inglesa (Polseath, em vez de “praia”), e substituem-se alimentos: as crianças bebem agora cerveja de gengibre (“ginger beer”) com naturalidade, e não “laranjada”; comem scones e bolo de gengibre com melaço, não “biscoitos” e “bolo de chocolate”. De vez em quando, o texto lembra-nos que estamos mesmo no século XXI:
“O Sol agora iluminava tudo, ainda que estivesse muito baixo, no lado de nascente. Já se sentia calor. O céu estava muito azul e Ana não pôde deixar de notar que parecia pintado de fresco. Ela fazia sempre observações a tempo e os outros achavam-lhe graça.
As nuvens estavam tão cor-de-rosa e o mar tão calmo que parecia impossível que tivesse havido um temporal na véspera.”
(tradução de Maria da Graça Lobato de Faria para a Editorial Notícias, 1977)
“O sol brilhava intensamente, embora ainda estivesse baixo, e já fazia calor. O céu estava tão bonito e tão azul que até passou pela cabeça da Ana que alguém se divertira a limpá-lo com muito esmero. Não resistiu e comentou:
- Parece acabadinho de sair da máquina de lavar!
Os outros desataram a rir – de vez em quando a Ana saía-se com cada uma! Mas no fundo perceberam o que ela queria dizer. Sentia-se a frescura do dia, tanto nas nuvens cor-de-rosa no céu azul como no mar tranquilo e brilhante lá em baixo. Mal dava para acreditar que no dia anterior estivera tão agitado.”
(tradução de Mariana Avelãs para a Oficina do Livro, 2011)
“Os cinco” sobreviveram até hoje, populares como sempre, estoicamente indiferentes à passagem do tempo, divertindo gerações atrás de gerações, atravessando fronteiras linguísticas e geográficas. Os anos podem até passar por eles, muito discretamente, mas a fórmula de Enid Blyton mantém-se intocável.
livros “Os cinco na ilha do tesouro” e “Os cinco – Nova aventura dos cinco”, de Enid Blyton
ambos Oficina do Livro, 2011
[a partir dos 9 anos]
12 + 14 abril, 9.30 pm
Adriana Calcanhotto
Culturgest, Lisboa
[a partir dos 3 anos]
12 + 13 abril
Lee Ranaldo Band, Matias Aguayo, Omar Souleyman, No Age,...
festival Warm-Up Vodafone Paredes de Coura
Praça D. João I, Porto
[a partir dos 12 anos]
13 + 14 abril, 7 pm
Elisabeth Leonskaja
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
[a partir dos 3 anos]
21 abril, 7 pm
Ensemble Al-Kindî
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
[a partir dos 3 anos]
24 + 25 + 27 + 28 abril
Marisa Monte
Coliseu, Porto [dias 24 + 25]
Coliseu dos Recreios, Lisboa [dias 27 + 28]
[a partir dos 6 anos]
4 + 5 maio, 7 pm
Elisabeth Leonskaja
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
[a partir dos 3 anos]
13 maio, 10 pm
William Basinski
Culturgest, Porto
[a partir dos 12 anos]
26 maio, 7 pm
Amjad Ali Khan
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
[a partir dos 3 anos]
31 maio, 7 pm
Grigory Sokolov
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
[a partir dos 2 anos]
28 junho
Alicia Keys
Pavilhão Atlântico, Lisboa
[a partir dos 4 anos]
21 julho
Lee Fields & The Expressions
Jardins Marquês de Pombal, Oeiras
festival edp cooljazz
[a partir dos 4 anos]
3 + 4 setembro
David Byrne / St. Vincent
Coliseu dos Recreios, Lisboa [dia 3]
Coliseu, Porto [dia 4]
[a partir dos 12 anos]
cinema > filmes > estreias
“Laurence para sempre” ["Laurence anyways"], de Xavier Dolan, com Melvil Poupaud, Suzanne Clément,…
[a partir dos 14 anos]
“As bailarinas” [“Les valseuses”], de Bertrand Blier, com Gérard Depardieu, Patrick Dewaere, Miou-Miou, Jeanne Moreau,…
[a partir dos 15 anos]
“Hitchcock” ["Hitchcock"], de Sacha Gervasi, com Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson,…
[a partir dos 13 anos]
“Psico” ["Psycho"], de Alfred Hitchcock, com Janet Leigh, Anthony Perkins, Vera Miles,…
[a partir dos 13 anos]
“Bestas do sul selvagem” ["Beasts of the southern wild"], de Benh Zeitlin, com Quvenzhané Wallis, Dwight Henry,…
[a partir dos 10 anos]
“The master – O mentor” ["The master"], de Paul Thomas Anderson, com Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams,…
[a partir dos 15 anos]
“Lincoln” ["Lincoln"], de Steven Spielberg, com Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones,…
[a partir dos 13 anos]
“Django libertado” ["Django unchained"], de Quentin Tarantino, com Jamie Foxx, Don Johnson, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz,…
[a partir dos 15 anos]
“00:30, a hora negra” ["Zero dark thirty"], de Kathryn Bigelow, com Jessica Chastain, Jason Clarke, Jennifer Ehle,…
[a partir dos 15 anos]
"Hotel Transilvânia" ["Hotel Transylvania"], de Genndy Tartakovsky,
com as vozes de Adam Sandler, Andy Samberg, Steve Buscemi,...
[a partir dos 6 anos]
"Amor" ["Amour"], de Michael Haneke, com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Rita Blanco,...
[a partir dos 14 anos]
"Mata-os suavemente" ["Killing them softly"], de Andrew Dominik, com Brad Pitt, James Gandolfini, Ray Liotta,...
[a partir dos 16 anos]
"Argo" ["Argo"], de Ben Affleck, com Ben Affleck, Bryan Cranston, John Goodman,...
[a partir dos 12 anos]
artes plásticas > exposições
até 18 maio
Pedro Lourenço e João Drumond, "Mood swings and frozen natures"
Galeria Dama Aflita, Porto
[a partir dos 12 anos]
até 19 maio
Rui Toscano, "Esculturas sonoras, 1994 / 2013"
Culturgest, Lisboa
[a partir dos 2 anos]
até 19 maio
"Portrait of Michel Auder"
Culturgest, Lisboa
[a partir dos 12 anos]
até 23 junho
Clarice Lispector, "A hora da estrela"
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
[a partir dos 11 anos]
até 27 outubro
"Cartazes de propaganda chinesa - A arte ao serviço da política"
Museu Fundação do Oriente, Lisboa
[a partir dos 2 anos]