Tag Archives: Madalena Matoso

“Uma cadela amarela e vários amigos dela”, de Manuela Castro Neves e Madalena Matoso

 

O segundo livro resultante da colaboração de Manuela Castro Neves e Madalena Matoso – sucessor de “O elefante diferente (que espantava toda a gente)”, igualmente lançado pela Caminho – afigura-se, desde a sua primeira leitura, como um parceiro indispensável para os Continue reading

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Histórias sem letras [no Carrossel com Rita Cavaco]

 

A produção da imagem como contadora de histórias tem chegado até nós através da pintura, da fotografia e, mais tarde, do cinema (ainda que, aqui, dinamizada pelo movimento e pela música). Nos livros, por contraste, as imagens são, geralmente, esperadas como complemento do texto e não tanto como a única linguagem disponível. Para várias idades, uns mais dramáticos que outros, os livros de histórias sem letras, pelas releituras que exigem e por possíveis interrogações que vão suscitando, são um Continue reading

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Fim de Semana Cria Cria na Livraria Barata

 

E se umas donzelas e uns guerreiros – que, quiçá, nunca tenham visto uma bicicleta – se cruzassem com um Pato Lógico e um Pinto Pançudo, ou com um Gato Malhado e uma Andorinha Sinhá, na lisboeta Avenida de Roma, para ouvir poemas musicados de outros tempos, relembrar contos que todos conhecemos (e outros nem por isso…) ou viajar a meias pelo imaginário daqueles que desenham os livros que lemos? É qualquer coisa desse género, mas com limonada à mistura, que irá começar a acontecer no próximo Dia Mundial da Criança, com extensão pelo fim de semana que se lhe segue, quando o Cria Cria completa o seu primeiro ano de vida. E para comemorar estas Continue reading

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Passatempo “Nunca vi uma bicicleta e os patos não me largam”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

O Cria Cria tem para oferecer, com a amável colaboração da editora Planeta Tangerina, três exemplares do livro “Nunca vi uma bicicleta e os patos não me largam”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, à venda desde há poucos dias. Para receber um destes álbuns, basta que Continue reading

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“Nunca vi uma bicicleta e os patos não me largam”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

João dos Santos, grande (imenso!) pedopsiquiatra português, foi um dos primeiros a insistir na questão das competências iniciais que todas as crianças deveriam ter oportunidade de desenvolver para que, mais tarde, consigam ser bem sucedidas nas aquisições formais escolarizadas, como a leitura, a escrita, a matemática, sempre alvo de constantes preocupações parentais e origem de tanto “stress” pedagógico. Falava ele na “leitura do mundo”, tridimensional, real, natural. Só depois de identificados, nomeados, manipulados, interiorizados estes “objetos”, do tamanho real à miniatura, estará a criança mais disponível para a passagem para leituras bidimensionais (fotografias, ilustrações, silhuetas e contornos, e escrita). Sylviane Rigolet, outra prestigiada professora e psicolinguista suíça, a trabalhar desde há longos anos em Portugal, explica bem esta questão ao falar numa “ordem de desenvolvimento das sucessivas leituras do mundo”. Não se percebe pois “certa pseudo-educação”, que obriga classes de bebés a Continue reading

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2011 > essencial > literatura > livros > nacionais

 

Uma reflexão e sistematização do que a história fará perpetuar da produção criativa de determinado ano não é, em nosso entender, tarefa que possa ser adequadamente cumprida ainda no decurso desse período ou, sequer, nos dias que se seguem ao seu fim. Por isso, sem as precipitações e as obsessões normativas que regem a quase totalidade das publicações culturais por este mundo dentro, optamos por deixar as obras que mais nos impressionaram e emocionaram em 2011 assentar um pouco da sua intemporalidade nesta primeira meia dúzia de semanas de 2012 – e resumimos, nos próximos dias, o que nos parece ser a essência dessa colheita, os trabalhos aos quais o ano passado merece ficar efetivamente associado. Para inaugurar esta pequena sequência de balanços, a produção literária infantojuvenil de Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, última semana]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, recebemos ao longo deste outono de 2011 Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui respondeu a uma das nossas perguntas e aqui apresentou uma sua ilustração de que se orgulha particularmente.

No momento final desta “residência”, aqui manifestamos o nosso mais sentido agradecimento a Madalena Matoso pelo profissionalismo, dedicação e carinho com que tratou este nosso convite, o que se manifestou nesta sequência de ideias tão esclarecidas e de exemplos paradigmáticos do elevadíssimo nível formal da sua obra que partilhou com todos nós.

 

Cria Cria: Com o excesso de oferta no campo da ilustração que aconteceu em Portugal (e um pouco por todo o mundo) nesta última década, acha que o mercado ainda consegue ser justo para quem faz os trabalhos de maior valor artístico? O crescimento exponencial da oferta tem sido devidamente acompanhado pelo crescimento da procura? Um ilustrador com talento como o seu pode viver apenas da ilustração? Tem alguns períodos de tempo sem trabalhos novos em mãos? Ou, por outro lado, recusa muitas propostas de trabalho?

Madalena Matoso: Haver muitos ilustradores é bom para o mundo da ilustração, aumenta o nível de exigência, a diversidade de propostas, a troca de experiências. Penso que, paralelamente ao aumento de oferta, também cresceu a procura. Como a ilustração tem tido mais visibilidade, há mais interesse pela área – tanto por parte de quem quer fazer ilustração, como por parte de quem procura. No entanto, vivemos numa época em que Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 12]

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos ainda a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui tem respondido a uma das nossas perguntas e apresentado uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Imagina-se a fazer o que faz agora para sempre? Se não, o que se imagina a fazer daqui a 20 ou 30 anos? Que objetivos ainda pretende atingir na sua carreira? Se pudesse formular um desejo profissional, qual seria?

Madalena Matoso: Nunca fiz muitos planos para o futuro. Até agora tudo tem acontecido sem grandes projetos. Quando começámos o Planeta Tangerina, éramos só um grupo de amigos a trabalhar no mesmo espaço. Não nos passou pela cabeça que Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 11]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Considera ser mais difícil desenhar para crianças ou para adultos? Ou desenha sobretudo para si própria? Que conselho daria a uma criança que se lhe dirigisse exprimindo o desejo de se tornar ilustradora?

Madalena Matoso: Não me parece que haja graus diferentes de dificuldade entre fazer um desenho para adultos ou um para crianças. Pode haver preocupações diferentes, temáticas diferentes ou abordagens diferentes, mas a dificuldade é a mesma. Talvez o mais difícil seja desenhar para adultos que vão produzir qualquer coisa Continue reading

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Passatempo “O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

O Cria Cria tem para oferecer, com a amável colaboração do Museu da Luz e da Planeta Tangerina, cinco exemplares do livro “O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, à venda desde ontem. Para receber um destes álbuns, basta que Continue reading

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“O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

Não é uma janela qualquer. “Essa” janela, a que se referem a escritora Isabel Minhós Martins e a ilustradora Madalena Matoso, é a janela que, do Museu da Luz, planamente enquadra o olhar sobre a paisagem alentejana que, há quase dez anos, aninhava ainda a pequena Aldeia da Luz, desaparecida sob as águas da barragem do Alqueva. Nessa altura, a Aldeia da Luz protagonizou incontáveis títulos de jornais: a “tragédia” Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 10]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Qual foi a coisa mais interessante que aprendeu com a ilustração até hoje? Com quem? Quem é o seu ilustrador favorito? Por que razão? Quem é que imita mais? Fica irritada com isso?

Madalena Matoso: Não consigo dizer “a” mais importante. Uma das primeiras coisas que aprendi é que não temos de ser redundantes em relação ao texto, o que abre possibilidades infinitas. Há quem pense que um ilustrador não é Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 9]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: É ilustradora a tempo inteiro, 24 horas por dia? Desenha mentalmente tudo o que vê, estando acordada ou a dormir? E toma notas ou faz esquissos sobre essas visões? O que é que tem de ter sempre consigo para o poder fazer?

Madalena Matoso: Penso que todas as experiências pelas quais passamos influenciam de alguma maneira o nosso trabalho. Os filmes, as viagens, os livros, a música, as pessoas que conhecemos… Nesse sentido, mesmo que não esteja a pensar numa ilustração em particular, estou inconscientemente a recolher material de trabalho e, por isso, pode dizer-se que sou ilustradora a tempo inteiro. Mas não estou sempre a Continue reading

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“Para onde vamos quando desaparecemos?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

Eis mais um texto encantador de Isabel Minhós Martins, poeticamente pessoano na forma delicada como aborda a “espantosa realidade das coisas”. A voz de quem escreve é a voz de quem conta, em partes e apartes. É a voz que partilha e que ensina a olhar, a sentir e a pensar. É a voz de quem empenhadamente se entrega às Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 8]

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Por que é que acha que as pessoas desenham? E por que é que a Madalena desenha? Ainda sente a mesma motivação que tinha quando começou a ilustrar?

Madalena Matoso: O desenho pode ser o começo de alguma coisa. A mão desenha sozinha e, às vezes, aparecem resultados de que não estávamos à espera. Pode ajudar-nos a pensar, a encontrar, a ver melhor. Quando olhamos para uma coisa e a desenhamos, começamos a vê-la de maneira completamente diferente — é como se a víssemos por dentro. Podemos desenhar para passar o tempo. Ou para nos concentrarmos nalguma ideia. Às vezes, uso o desenho para Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 7]

 

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Zanga-se com as suas ilustrações? E elas consigo? Tem uma relação saudável com todas as ilustrações que vai terminando e juntando ao seu portefólio? Fica sempre satisfeita com os resultados do seu trabalho?

Madalena Matoso: Às vezes zango-me com elas. Se elas se zangam comigo, não sei bem… Há ilustrações mais antigas que valem pela experiência, mas de que não me orgulho especialmente (antes pelo contrário). Em geral, as ilustrações de que mais gosto são as Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 6]

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Tem pesadelos com as suas ilustrações? E sonhos bons? Os seus momentos de criação são, por norma, felizes? Ou são difíceis?

Madalena Matoso: Não tenho pesadelos mas, às vezes, não me deixam dormir. Há momentos de criação difíceis e outros fáceis. Há livros em que começo por ter momentos difíceis e, sem saber muito bem quando ou porquê, torna-se tudo mais fácil. Às vezes, posso saber que ainda não encontrei o caminho certo, mas vou avançando até aparecer o caminho certo (ou o que, na altura, me parece certo), e começo tudo de novo. Há livros para os quais tenho uma quantidade enorme de desenhos que ficaram para trás; há outros em que só tenho dois ou três que não se usaram. Muitos desses desenhos que não aparecem no livro nem sequer estão acabados, são abandonados a meio (mas, às vezes, é um desses que não se chega a acabar que nos dá a ideia para o que queremos mesmo fazer).

 

ilustração originalmente publicada no livro “Cá em casa somos…” (Planeta Tangerina, 2009)

 

Madalena Matoso: Neste livro, os números ajudam-nos a conhecer melhor a vida de uma família. Em cada página ficamos a saber o número de pés, de pernas, de dentes, de cabelos, etc. que há “lá em casa”. As primeiras ilustrações que fiz eram bastante descritivas em relação ao texto e seguiam sempre a lógica de “confirmar” os números que eram referidos. Mas quando as vimos todas juntas achamos que eram muito parecidas entre si. Uma das coisas que mais gosto de trabalhar quando faço um livro é a sequência das imagens, o ritmo das páginas. Quando fazemos uma ilustração isolada (para um cartaz, para uma capa de livro ou para a imprensa) é completamente diferente. Num livro, mais importante do que cada imagem isolada, é o conjunto — o modo como as imagens funcionam umas depois das outras (para além da relação com o texto). Assim, fiz uma segunda versão com ilustrações mais abstratas e abertas. Alguns dos desenhos que ficaram de fora poderiam, à primeira vista, parecer mais ricos, por terem mais pormenores, mas eram também mais fechados e permitiam menos leituras. Cada página tem um tempo próprio. Umas são para ver muito depressa, outras são para ficarmos lá muito tempo (e de cada vez que pegarmos no livro vai ser sempre diferente).

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 5]

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Como é que faz para se “lembrar” de coisas que ainda não existem? Como é que trabalha a imaginação?

Madalena Matoso: Às vezes, tenho a sensação que cada coisa que fazemos é uma preparação para a próxima. Como se cada desenho tivesse lá dentro todos os que fizemos até ali (e não fosse possível existir sem todos os que ficaram para trás). Assim, as ideias novas que surgem em cada projeto são uma base para as seguintes. E essas ideias podem vir de vários sítios. Quando faço um livro, concentro-me muito no texto. Há o que está escrito e há um universo por trás das palavras. Podemos usar as ideias do texto como porta para outras, podemos fazer uma ilustração que seja ela mesma uma “porta”, podemos acrescentar ideias nossas… Nesse sentido, penso que fazer um álbum ilustrado é um verdadeiro trabalho de equipa, mesmo que nunca se tenha conhecido o autor (ou mesmo que sejamos nós próprios o autor do texto). Depois, tudo o que vivemos e fazemos, se estivermos atentos, pode ajudar-nos a inventar as tais coisas que não existem. Há o cinema, os livros, andar na rua, a música, memórias de quando éramos pequenos, pessoas que conhecemos,… Às vezes as ideias aparecem quando estou a andar de carro ou de comboio — é como se estivesse a ver o mundo através de uma moldura, e essa moldura faz com que as coisas nos pareçam mais distantes e novas.

 

ilustração originalmente publicada no livro “Trava-línguas” (Planeta Tangerina, 2008)

 

Madalena Matoso: Esta ilustração foi feita para o “Trava-línguas” (com recolha de Dulce de Souza Gonçalves). Já tinha há alguns anos a vontade de trabalhar a tipografia como imagem, e o “Trava-línguas” foi o pretexto ideal. Para este livro, desenhei um alfabeto a partir da “Century gothic” (1991, Monotype Imaging, que por sua vez é baseada na “Twentieth century”, de 1937, da Lanston Monotype) e fiz carimbos com esse alfabeto. Todas as imagens do livro foram desenhadas com esses carimbos. Primeiro, ia experimentando fazer os desenhos em folhas de rascunho. Quando me parecia que havia ali qualquer coisa que valia a pena, repetia a composição com um papel vegetal e ia acrescentando ou melhorando alguns aspetos. Depois, digitalizei todos os desenhos e trabalhei-os no computador. Nessa fase tentei aperfeiçoar alguns detalhes e alterei a escala de algumas letras — para que a figura que formavam fosse mais perfeita e ganhasse pormenor. Mas acabei por achar que manter sempre a mesma escala ao longo do livro era mais interessante, e voltei aos primeiros desenhos, mesmo que fossem menos perfeitos. Foi uma escolha entre um desenho mais espontâneo, com erro, ou um desenho mais “limado”. Escolhemos o erro.

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 4]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Tem segredos ou técnicas especiais no seu método de trabalho que nos possam ajudar a desenhar melhor?

Madalena Matoso: O segredo para desenhar melhor é simples: desenhar. Quanto mais desenharmos, melhor desenhamos. Claro que para desenhar muito é preciso gostar de desenhar (e “isso” é mais difícil de explicar, não se sabe muito bem de onde vem, se está na mão, na cabeça, nos olhos). O meu professor de desenho da Sociedade de Belas Artes dizia que aprender a desenhar era como aprender uma língua estrangeira – não era preciso nascer com “nada de especial” para desenhar. E é verdade, há muitas técnicas que se podem ensinar/aprender para desenhar melhor. Mas depois há a vontade de desenhar, o estar sempre a desenhar, que não se ensina.

Por vezes, o desenho também pode ser uma luta. Li há poucos dias, sobre uma exposição do Rui Chafes: “Aquele que desenha também não pode deixar de se ferir com o que trabalha: a sua própria ferida.” (…) “As feridas são um dom. É delas que surge a obra, porque é delas que se alimenta o artista.”

 

ilustração originalmente publicada no livro “A charada da bicharada” (Texto Editores, 2008)

 

Madalena Matoso: Esta ilustração foi feita para o livro “A charada da bicharada”, com texto de Alice Vieira. Quando me enviaram o texto com as charadas, percebi que havia um quase-problema: não podia desenhar um gato para ilustrar o texto sobre o gato. Na altura, fiquei muito entusiasmada porque achei que era a oportunidade ideal para fazer um livro cheio de dobragens, em que só se revelaria o animal quando se desdobrassem as páginas. Como era uma editora grande, achei que seria viável fazer um livro de produção mais cara (que no Planeta Tangerina seria insustentável). Mas, depois, em conversa com o Jorge Silva, que na altura era o diretor de arte do grupo Leya/Texto, percebemos que uma produção muito complicada também não seria possível. Assim, vi-me “condicionada” (no bom sentido) às páginas normais de um livro e tive de encontrar uma solução para ilustrar cada adivinha sem desvendar o animal mistério. Experimentei, então, fazer ilustrações em que o animal estivesse lá mas que não se visse num primeiro olhar.

Acabei por me divertir muito a fazer estes desenhos porque inventei histórias para a ilustração “que se via” (vagamente relacionadas com o “tema”), e o único compromisso era que o animal lá estivesse escondido.

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 3]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Acha que tem estilo? Ou acha que tem um estilo próprio? Acha que é “especial”?

Madalena Matoso: Quando estou a fazer uma ilustração, ter um estilo não é o que mais me preocupa. Acho que é importante ter uma voz própria, mas isso vai-se construindo naturalmente. O que mais gosto é de experimentar coisas novas, de andar à procura, e isso faz com que trabalhe com muitos tipos de técnicas, com materiais diferentes… Vejo os livros como pequenos laboratórios em que posso experimentar ideias, e isso entusiasma-me muito. Mas, à medida em que vamos fazendo trabalhos (no meu caso, são maioritariamente livros), a tal voz própria vai emergindo, porque somos a mesma pessoa, pensamos com a mesma cabeça. Às vezes podemos trabalhar em técnicas muito diferentes, mas a forma como ocupamos uma página ou abordamos um assunto vai definindo o tal “estilo” próprio. Mas não me vejo a cristalizar num tipo de representação, numa gama de cores, para ser fiel a um estilo. Em cada trabalho gosto que haja coisas novas para mim e para os leitores.

 

ilustração originalmente publicada no livro “Andar por aí” (Planeta Tangerina, 2009)

 

Madalena Matoso: Esta ilustração foi feita para as guardas do livro “Andar por aí”. Gosto muito desse texto da Isabel Minhós Martins. É um livro sobre um avô e um neto que “andam por aí”. Não vão a nenhum lado em especial, não têm nenhuma tarefa em mãos… O único objetivo é deambular pela cidade como se a estivessem a ver pela primeira vez.

Gosto de fazer os desenhos das guardas porque não estamos a ilustrar nenhuma passagem em particular do texto, mas podemos tentar captar a essência do livro e condensá-la numa imagem. Há guardas mais gráficas, com um padrão, por exemplo, há outras que nos dão pistas sobre a história, há outras que nos dizem o “sítio” da história… São uma espécie de genérico do livro. Nestas guardas, a planta da cidade transformou-se em pássaro.

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