Alexandre Dumas e o romance de aventuras

Os melhores amigos são
Os três Moscãoteiros
Quando em aventuras vão,
são sempre os primeiros…

 

A musiquinha já está a tocar na cabeça? Já se lembram das personagens? Já lhes ouvem as vozes?

(…)

Apercebi-me recentemente que há crianças, da geração das consolas sofisticadas, que brincam aos índios e cowboys, embora nunca tenham lido um western ou visto uma única aventura de capa e espada. Quem cresceu com os romances de aventuras portugueses lembrar-se-á do Capitão Morgan, que, a partir de Emilio Salgari, nas versões da Romano Torres, enche de terror os navios espanhóis e se comporta como um verdadeiro cavalheiro, em vigorosos ajustes de contas com os grandes, com os injustos, com os poderosos. Dos anos 40, herdámos ainda “Les trois Mousquetaires”, na tradução de 1851, e “Le Comte de Monte-Cristo”, de 1845, ambos de Alexandre Dumas (pai). E quem se lembra dos despojos paternos das coleções dos anos 60, dos livrinhos de índios e cowboys dos pais, em versões cada vez mais fininhas?

 

 

Escreve Eça de Queiroz nas suas “Notas contemporâneas” (Ed. Livros do Brasil, s.d., p. 188), a propósito do declínio do naturalismo: “A simpatia, o favor, vão todos para o romance de imaginação, de psicologia sentimental ou humorista, de ressurreição arqueológica (e pré-histórica!) e até de capa e espada, com maravilhosos imbróglios, como nos robustos tempos de D’Artagnan.” Mas o mesmo Eça coloca um volume escrito por Dumas à cabeceira de Ega em “Os Maias”. E Camilo, no prólogo de “A caveira”, em “Cenas contemporâneas”, ironiza sobre a “mentira no romance”.

A inexorável ascensão do cinema e da televisão, com as suas séries para os mais novos, fez esquecer Alexandre Dumas, galã, aventureiro, viajante, escritor, criador de uma das mais eficientes oficinas de escrita, que enchia de interesse os rodapés das revistas parisienses. Dumas vive nos desenhos animados que viram todos aqueles que nunca leram Dumas (e cuja banda sonora, muito provavelmente, não irão conseguir tirar da cabeça durante o resto do dia, depois de lerem este post). Dumas vive, ainda, na imaginação destas crianças que hoje brincam e que também nunca o leram. Talvez o leiam, um dia, desejamos nós.

 

Quando eles vão combater
Já não há rival algum
O seu lema é um por todos
E todos por um…

 

 

 

 
Paula Pina

Advertisements

Leave a comment

Filed under Literatura, Ram Ram, Televisão

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s