Celebrando 125 anos do nascimento de Tarsila do Amaral

“Auto-retrato”

 

Deram o seu nome a uma cratera, em Mercúrio. Segundo a União Astronómica Internacional, a cratera Tarsila do Amaral tem 106 km de diâmetro e está rodeada de outras crateras: a cratera Dali, a cratera Glinka, a Poe, a Beckett, a Munch. Talvez seja de facto adequada esta homenagem planetária a uma artista cuja assombrosa visão plástica transpôs os altos portões da fazenda, em Capivari, no interior do Estado de São Paulo, Brasil, onde nasceu a 1 de setembro de 1886.

 

“Abaporu”

 
Tarsila correu mundo: atravessou um oceano imenso para estudar em Barcelona e depois em Paris, com Léger, onde conheceu o cubismo de Picasso e Brancusi, a música de Stravinsky, Satie e Villa-Lobos. Por onde passava, Tarsila do Amaral deixava a marca da originalidade do seu talento, da força e sofisticação da sua personalidade, da beleza do seu rosto. Contudo, foi nas histórias maravilhosas da infância, nas cores vibrantes da natureza do seu país, que encontrou a sua identidade artística: “Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: o azul puríssimo, o rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante…”.

 

“A feira I”

 

Em menina, uma de sete irmãos, Tarsila vestia-se segundo os últimos figurinos parisienses, bordava, tocava piano e falava francês. Parecia corresponder ao perfil típico da aristocrata rural, rodeada de luxo, imune à pobreza extrema que os muros da fazenda ocultavam. As primeiras letras que leu foram as iniciais do fundador da fazenda, B.A.G.P., gravadas no topo do seu portão. Quando a precetora belga a chamava para as lições, Tarsila escondia-se no mato, comendo maracujás e banhando-se no riacho, brincando com os seus 40 gatos, mas sonhando com Paris. O primeiro desenho importante, a lápis de cor, representava uma cesta de flores e uma galinha rodeada de pintainhos.

 
“Anjos”

 
O apogeu da sua carreira, na fase “pau brasil”, é assinalado pela presença de temáticas brasileiras, tradições e paisagens (como em “A feira I”, verdadeira montra estratificada de frutos exóticos, ou figuras de procissão, nichos e altares, em recriações modernistas, como a de “Anjos”). Surgem ainda criaturas imaginárias, “coisa do mato” (como afirmava o escritor Oswald de Andrade a propósito de “Abaporu”), e personagens do folclore brasileiro, como o “Saci-pererê” ou “A Cuca”. Neste último quadro, prenúncio da fase antropofágica, do traço afetuoso e ininterrupto de Tarsila brotam bichos fantásticos, pousados numa paisagem campestre íntima e simbólica, pejada de catos, árvores, aglomerados vegetais rodeando um lago azul irreal: um sapo, uma taturana gigante, um tatu-pássaro, e uma personagem alienígena amarela, que prende em si o olhar das restantes figuras, numa espécie de estatismo expetante, metamórfico ou onírico.

 
“A Cuca”

 

Em “Boi na floresta”, já fase antropofágica, o animal estático, que nos fixa, em desassossegos presos entre linhas e pesos, cores escuras e metálicas, volumes verticais e variações abstratas, reconduz-nos ao mitos e crenças caipiras, às lengalengas infantis e às canções de boieiros.

 

“Boi na floresta”

 
Tarsila do Amaral pintou também uma “Lua”, em 1928. Os astrónomos dizem que é difícil distingui-la de Mercúrio…

 
“A lua”

 

Paula Pina

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2 Comments

Filed under Artes plásticas

2 responses to “Celebrando 125 anos do nascimento de Tarsila do Amaral

  1. Muito Legal. Me Ajudou Muito Nos Meus Trabalhos De Artes. Muito Obrigado! Beijos E Crie Mais Desses Tipos De Sites, Tá Bom???

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