Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 1]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 receberemos Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma  designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Como (e quando) é que surgiu o desenho na sua vida? E como (e quando) é que o desenho começou a “transformar-se” em ilustração?

Madalena Matoso: Não me lembro de começar a desenhar, tal como não me lembro de nascer ou de aprender a andar (tenho algumas memórias de aprender a falar mas, provavelmente, são inventadas). Lembro-me que desenhava muito, todos os dias. Depois da escola, eu, os meus irmãos e alguns vizinhos juntávamo-nos à volta da mesa da sala de jantar a desenhar. Também fazia desenhos no consultório, à espera do médico, no banco à espera que fossem levantar dinheiro, nas toalhas de papel dos restaurantes,… Se fosse preciso esperar por alguma coisa, a minha mãe dava-me um papel e uma caneta.

Acho que o desenho se começou a transformar em ilustração quando comecei a fazer livros para oferecer. Na escola, fazíamos a clássica “composição + desenho”, mas o desenho só estava lá para a página não ficar muito vazia. Esses desenhos não me entusiasmavam muito. Acho que estava em piloto automático. O que eu gostava mesmo de fazer, o que era divertido, era inventar coisas para fazer em casa e fazê-las (livros, cenários para brincar, máscaras).

 
ilustração originalmente publicada no livro “Quando eu nasci” (Planeta Tangerina, 2007)

 

Madalena Matoso: Este desenho é do “Quando eu nasci”. O texto diz: “Quando eu nasci nunca tinha mexido na terra nem feito túneis na areia. As minhas mãos nunca tinham tocado em nada, só uma na outra.” Lembrei-me de quando era pequena e estava na praia. Às vezes fazíamos dois túneis na areia e eles encontravam-se e podíamos dar a mão lá por baixo. Neste livro, procurei criar imagens muito simples, quase minimalistas, mas que conseguissem ter muitas ideias “lá dentro”. Ideias do texto e não só. Por outro lado, trabalhei a simetria das páginas e a relação com o meio do livro (onde as folhas dobram) e tentei tirar partido dessa charneira. Em relação às cores, também as resumi a quatro + preto para procurar essa imagem simples, simbólica.

O passarinho está mais relacionado com outra parte do texto desta página: “Quando eu nasci era tudo novo. Tudo por estrear.” Lembrei-me de quando chegamos a uma praia no inverno e ela está sem pegadas, “por estrear” (achamos nós).

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