“A viagem de Olaj”, de Martín León Barreto

 

“A viagem de Olaj”, do designer gráfico e ilustrador Martín León Barreto (Montevideu, 1973), já foi notícia neste ano ao vencer, entre 374 candidatos, o IV Prémio Internacional Compostela Para Álbuns Ilustrados, uma iniciativa do Departmento de Educação do Município de Santiago e da Kalandraka. Obra publicada em basco, catalão, espanhol e galego, “A viagem de Olaj” chega amanhã às lojas com tradução portuguesa, da autoria de Elizabete Ramos.

No texto ecoam os ritmos, cadências e rimas, a estrutura repetitiva e circular, e as marcas da oralidade e do discurso infantil, tão típicos das lengalengas e histórias acumulativas da literatura oral e tradicional. Mas nele encontramos igualmente o tópico da demanda, o afastamento de casa, e a viagem de descoberta e conhecimento iniciático protagonizadas por um ser masculino, que “vivia num planeta muito, muito pequeno”, qual “Principezinho”. Solitário, pensativo, sentado no cimo do telhado da sua “casa muito, muito grande”, Olaj decide tomar caminho, as pernas agigantadas vestindo calças de concêntricas joelheiras azuis, iguais ao seu olhar. As ilustrações, caleidoscópicas e cromáticas, desdobram-se em colagens mecânicas e planos arquitetónicos, que apetece tocar, que apetece mover. As figuras aglutinam-se, incorporam-se em formas geométricas, que se fundem em verdadeiros puzzles zoológicos.

 

 

Ao longo da viagem, animais impossíveis e animais míticos seguem Olaj, numa aquiescência muda ao seu convite: “Queres vir comigo? – perguntou, e como ele não se negou…”. Mais tarde, o dom da comunicação, a palavra que chega com um pássaro que sabia falar e que lhe oferece, pela primeira vez, um “sim” verdadeiro. Olaj encontra mais animais, anónimos, e, depois de ter atravessado ambientes com cenários noturnos e diurnos, encontra finalmente “a noite” e, na noite, um pequeno pirilampo que os guiará até chegar o dia. O dia traz a descoberta do percurso circular da viagem, com o regresso ao ponto de partida. Apenas uma diferença fundamental: a casa, outrora tão grande, fica subitamente… “muito pequenina!”. Porque será?

 

livro “A viagem de Olaj”, de Martín León Barreto
Kalandraka, 2011
[a partir dos 3 anos]

 

Paula Pina

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Filed under Ilustração, Literatura

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