Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 7]

 

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Zanga-se com as suas ilustrações? E elas consigo? Tem uma relação saudável com todas as ilustrações que vai terminando e juntando ao seu portefólio? Fica sempre satisfeita com os resultados do seu trabalho?

Madalena Matoso: Às vezes zango-me com elas. Se elas se zangam comigo, não sei bem… Há ilustrações mais antigas que valem pela experiência, mas de que não me orgulho especialmente (antes pelo contrário). Em geral, as ilustrações de que mais gosto são as mais recentes. Das mais antigas, há umas de que gosto muito porque marcaram de alguma forma o percurso. Quando um livro vem da gráfica, às vezes estou uns tempos sem olhar para ele… Estive tanto tempo a pensar e a fazer as ilustrações que, quando termino, preciso de alguma distância para voltar a olhar para elas. Há projetos diferentes, e cada ilustração tem uma história por trás. Quase nunca controlamos todo o processo, e há também fatores técnicos que nos fazem ficar mais satisfeitos com umas ilustrações do que com outras: há digitalizações que não correm bem, papéis mal escolhidos, projetos gráficos de que não gostamos muito, etc. Penso que essa foi também uma das razões pelas quais começámos a editar livros: para podermos pensar um livro do princípio ao fim, como um objeto que não é só a soma do texto e da ilustração.

 

ilustração originalmente publicada no livro “O livro da Tila” (Caminho, 2010)

 

Madalena Matoso: Esta ilustração foi feita para “O livro da Tila”, de Matilde Rosa Araújo. Quando o José Oliveira, editor da Caminho, me convidou para ilustrar este texto, eu fiquei assustada: pensei que queria fazer um remake (à Hollywood) de um livro ilustrado pela Maria Keil. Mas depois percebi o mal-entendido: a Maria Keil tinha feito as ilustrações para “O cantar da Tila” e para “As cançõezinhas da Tila”, mas não para este. A primeira edição deste livro era de 1957 (foi o primeiro livro para a infância escrito pela Matilde), e tinham sido usadas ilustrações feitas por alunos da Escola Francisco Arruda, que já não se conseguiam recuperar. Quando fiz as ilustrações, tentei que estas respeitassem o texto da Matilde, que dialogassem verdadeiramente com ele, que transmitissem a sua delicadeza e sensibilidade, e que ao mesmo tempo trouxessem um olhar novo. A Matilde Rosa Araújo ainda viu as primeiras imagens, mas nunca chegou a ver o livro pronto (morreu quando este estava na gráfica). Acabou por ser o seu primeiro e último livro. Mas com muitos pelo meio…

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