Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 9]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: É ilustradora a tempo inteiro, 24 horas por dia? Desenha mentalmente tudo o que vê, estando acordada ou a dormir? E toma notas ou faz esquissos sobre essas visões? O que é que tem de ter sempre consigo para o poder fazer?

Madalena Matoso: Penso que todas as experiências pelas quais passamos influenciam de alguma maneira o nosso trabalho. Os filmes, as viagens, os livros, a música, as pessoas que conhecemos… Nesse sentido, mesmo que não esteja a pensar numa ilustração em particular, estou inconscientemente a recolher material de trabalho e, por isso, pode dizer-se que sou ilustradora a tempo inteiro. Mas não estou sempre a “fazer” ilustrações (nem estou sempre a pensar diretamente no assunto). Não desenho tudo o que vejo, mas tiro muitas fotografias mentais. No caminho para o ateliê, passo por uma zona de casas muito feias, daqueles bairros que são feitos de casas clandestinas, acrescentos, terrenos com lixo, marquises, ruas sem passeios. Mas, com a luz certa, num dia como o de hoje, em que está sol depois de alguns dias de chuva, olho para a paisagem e penso que até é bonita. Nessas alturas, apetece-me tirar uma fotografia (nem sempre tenho a máquina comigo mas, pelo menos, imagino uma fotografia). Costumo ter comigo um bloco de folhas lisas para fazer desenhos, que é usado de forma muito pouco sistemática.

 

ilustração originalmente publicada no livro “Os mil brancos dos esquimós” (OQO, 2009)

 

Madalena Matoso: O texto fala sobre a capacidade que os povos que habitam no ártico têm de distinguir e nomear diferentes cores onde nós (que não vivemos rodeados de neve) vemos apenas “branco”. Quando fiz as ilustrações, procurei criar uma sequência de imagens que transmitisse a experiência de conhecer diferentes tons de branco. Assim, as primeiras páginas são de um branco liso, sem textura, e à medida que as vamos passando, as cores tornam-se mais variadas, as texturas mais trabalhadas, com mais pormenores. Como se o leitor, ao ler o livro, ganhasse a capacidade de “ver” diferentes brancos. Na altura em que estava a trabalhar neste livro, andei à procura de fotografias sobre os esquimós para saber melhor como eram as casas, as aldeias, as roupas, etc. Encontrei alguns arquivos fotográficos com imagens do início do século XX e fiquei completamente fascinada. Se houve a fase em que andava mergulhada no estranho mundo dos retratos de família (como já contei aqui), desta vez, andei perdida uns tempos no mundo branco dos inuit.

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