Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 11]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Considera ser mais difícil desenhar para crianças ou para adultos? Ou desenha sobretudo para si própria? Que conselho daria a uma criança que se lhe dirigisse exprimindo o desejo de se tornar ilustradora?

Madalena Matoso: Não me parece que haja graus diferentes de dificuldade entre fazer um desenho para adultos ou um para crianças. Pode haver preocupações diferentes, temáticas diferentes ou abordagens diferentes, mas a dificuldade é a mesma. Talvez o mais difícil seja desenhar para adultos que vão produzir qualquer coisa que é dirigida às crianças. Explicando melhor: um adulto que vá fazer um trabalho para um público infantil, muitas vezes tem ideia do que são as imagens “apropriadas” para as crianças. Das cores que são apelativas, das características que os desenhos devem ter. E por vezes torna-se difícil encontrar uma base de trabalho comum. Mas, tal como os adultos gostam de coisas diferentes, as crianças também não gostam todas do mesmo. Assim, para mim seria difícil fazer ilustrações cujo objetivo fosse tão “pouco objetivo” como esse: agradar o público infantil. Quando faço um álbum ilustrado, o “ser para a infância” é um ponto de partida. O ponto de chegada, nunca chego a saber muito bem qual é.

O conselho que daria a uma criança (o mesmo que daria a um adulto) seria: ver, experimentar, inventar, fazer o que gosta.

 

ilustração originalmente publicada no livro “O primeiro gomo da tangerina” (Planeta Tangerina, 2010)

 

Madalena Matoso: Já há muito tempo que gostaríamos de fazer um livro com o Sérgio Godinho. Inicialmente pensámos propor-lhe que escrevesse um texto de raiz, mas depois começamos a olhar para as letras das músicas que ele tinha escrito e pareceu-nos que “O primeiro gomo da tangerina” daria um bom livro. Perguntamos-lhe o que ele achava da ideia, ele mostrou-se entusiasmado e, assim, comecei. Este poema fala de experimentar uma coisa pela primeira vez e manter esse espanto pela vida fora (dito de forma muito resumida). Na altura, estava a ler um livro do Le Clézio, o “Estrela errante”, e houve coisas desse livro que acabaram por aparecer neste. Esta imagem tem algumas dessas referências: a rapariga ruiva da aldeia que namorava com o capitão Mondoloni, os banhos de rio rodeados de rochas arredondadas,…

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