O regresso do Caderno Azul no Dia Mundial do Livro

 

Pensamos que o passado acabou, que ficou lá atrás. Mas há muitas e maravilhosas razões que nos devem levar a considerar que o passado é indispensável para conseguirmos compreender o presente que vivemos e tudo aquilo que, desconhecidamente ou nem tanto, nos aguarda na multiplicidade dos “amanhãs” e dos “depois”. Vejamos: em primeiro lugar, contabilisticamente falando, continua a haver mais mortos do que vivos (na proporção aproximada de 14 para 1*); depois, sendo tantos os mortos ilustres (na verdade, são a maioria, pois, feitas as contas, o total da população atual corresponderá apenas a 7% de todos os seres humanos que já por aqui andaram*), talvez fosse pertinente não os ignorarmos e aprendermos com eles alguma coisa. Conhecer o passado não é olhar para trás, é conhecer o tempo – é esta uma das mais fascinantes subtilezas da existência humana.

Vem tudo isto a propósito de um caderno. Na verdade, não é um caderno qualquer: é “o” Caderno Azul, um clássico, icónico já, da Firmo, marca portuguesa, com certeza, em boa hora relançado e modernizado, distinto e refinado, com novos formatos para consumidores exigentes, bem equipado, preparado para resistir aos embates das mais ferozes concorrências internacionais, e artesanal, como é devido. Liso, pautado, quadriculado, A5 e A6, azul, vermelho ou dourado, com elástico para fechar e com marcador, com bolsa na contracapa, ótimo para criarmos seja o que for, seja como for. Ajuda a pensar, a desenhar, a escrever, a fazer contas (as do supermercado e outras)…

 

* Estas contas modestamente inteligentes contaram com a amável colaboração de: um ábaco (modelo-pirata, talvez já não à venda na loja Cristina Siopa); um caderno azul, etiqueta vermelha, da Firmo; um lápis Viarco (nº 2); o encorajamento de dois defuntos ilustres do dia de hoje, Dia Mundial do Livro, ou seja, Cervantes e Shakespeare (que morreram com poucas horas de diferença em 1616); e ainda a inestimável benção de Jorge de Anicii (mais conhecido como São Jorge). Sugere-se que a mesma metodologia seja aplicada à resolução de intrincadas questões da economia atual. Oferecemos uma rosa a quem conseguir obter os melhores resultados.

 

Paula Pina

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1 Comment

Filed under Literatura, Ram Ram

One response to “O regresso do Caderno Azul no Dia Mundial do Livro

  1. sara

    Que maravilha… cadernos míticos, adoro! :-)

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