“Gravidade”, de Alfonso Cuarón

alfonso cuaron gravity

 

Paradoxo essencial: o cinema a três dimensões não se limita a alterar a composição do espaço; todo o seu aparato (incluindo os óculos que o espetador tem de usar) implica uma nova conceção do tempo, quer dizer, das durações através das quais elaboramos a nossa perceção do… espaço. Depois de Steven Spielberg (“As aventuras de Tintin – O segredo do Licorne”) e Martin Scorsese (“A invenção de Hugo”), Alfonso Cuarón surge como um dos poucos cineastas a refletir sobre as subtis implicações de tudo isso: “Gravidade” é um filme em que o 3d não se apresenta como um complemento mais ou menos pitoresco da ação física, servindo antes para gerar um peculiar sentimento do lugar dessa mesma ação: esse lugar é o espaço sideral, quer dizer, uma entidade de coordenadas impossíveis de apreender, sem fronteiras visíveis e sem… gravidade. Daí o sentido primitivo do drama vivido, lá muito em cima, por uma cientista (Sandra Bullock) e um astronauta (George Clooney). Se é verdade que os seus gestos podem simbolizar as proezas de um espantoso progresso tecnológico, não é menos verdade que protagonizam uma aventura habitada por uma velha ansiedade, comum ao Ulisses de Homero e aos heróis do western clássico: regressar a casa.

 

João Lopes

 

10 outubro [estreia nacional]
filme “Gravidade” [“Gravity”], de Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock, George Clooney e a voz de Ed Harris
Columbia, 2013
[a partir dos 12 anos]

 

ler texto integral no Doodles

 

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