“O Rei Artur”, de Claudio Hochman

cartaz claudio hochman o rei artur

 

No pequeníssimo e histórico Teatro de Carnide – Sociedade Dramática, Lisboa, até 20 de dezembro, está este “O Rei Artur”. Imperdível, claro, por várias razões: este é verdadeiramente um espetáculo de teatro musical para todas as idades, tal como o seu sub-título indica – pais e avós, filhos pequenos, médios, grandes e assim-assim, adolescentes e jovens não serão capazes de manter sobrancelha franzida, de evitar o sorriso, de assegurar o mais composto ar de severa contrariedade, sempre desejável em quem pensa que espetáculos em que os atores de repente começam a cantar e a dançar é coisa de uma Broadway que já lá vai. Sem condescendências, infantilismos ou paternalismos pseudo-educativos, a versão de Claudio Hochman da famosa história do rei Artur, uma proposta original e arrojada, divertida, irónica e provocadora, resulta intemporal e transversal graças ao seu rigoroso trabalho de encenação, ao qual respondeu com profissionalismo o jovem e assumidamente inexperiente e polifacetado elenco – que, destaque-se, foi também cocriador e compositor das canções. Na verdade, este é um dos talentos ímpares de Claudio Hochman: com pouco fazer muito, com a imaturidade criar sabedoria, enchendo de potencialidades e sentidos, camadas sobre camadas, todos os gestos e movimentos, numa coreografia simples, rica, minimal, mas complexa e exigente na execução – uma falha milimétrica, e tudo se pode desmoronar (literalmente!) num espaço despido, jogando apenas com dez bidões, algumas espadas de madeira e, sobretudo, com corpos e vozes de dez atores de calças de ganga e t-shirts (catorze atores, na verdade, que, rotativamente, num desafio suplementar, têm de desempenhar ora um ora outro papéis).

 

claudio hochman o rei artur

 

Parece insuficiente para um espetáculo de teatro musical, mas é imenso; é mínimo, sem dúvida, mas genial na sua simplicidade. Uma experiência única, excecional, de aprendizagens multidimensionais, imprescindível na carreira de qualquer ator ou cantor, jovem ou não. Uma experiência estética surpreendente, que seduz o espetador e que mantém o interesse, num ritmo imparável, do início ao fim. “O Rei Artur” é imperdível também enquanto exercício de criatividade interdisciplinar aplicada, mais ainda quando o orçamento (ou a sua inexistência) entra em duelo de espadas com a arte. A arte vence, graças aos passes mágicos de imaginação, talento e esforço da equipa liderada por Claudio Hochman.

 

Paula Pina

 

27 setembro > 20 dezembro [sábados + domingos, 4 pm]
espetáculo “O Rei Artur – Um musical para todas as idades”, de Claudio Hochman
Teatro de Carnide, Lisboa
[a partir dos 6 anos]

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