Category Archives: Cinema

Jazz em Agosto 2014

jazz em agosto 2014

 

Seria efetivamente inevitável? Ou nem por isso…? As guitarras vão contaminar inapelavelmente o Jazz em Agosto deste 2014. A 31ª edição do festival lisboeta – que começa com o mês que o nomeia – foca-se com particular empenho num instrumento cujo protagonismo no repositório jazzístico não é – salvo uma generosa dúzia de exceções, extensíveis de Charlie Christian a Derek Bailey, passando por Django Reinhardt, Wes Montgomery ou Jim Hall – por demais assinalável. Partindo dessa premissa, difícil seria garantir uma agenda com o Continue reading

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“A flor do equinócio”, “Bom dia” e “O fim do outono”, de Yasujirô Ozu

yasujiro ozu ohayo

 

Parafraseando um dos seus mais emblemáticos títulos, celebremos o facto de, um ano depois da primavera comercial tardia de “Viagem a Tóquio” (1953) e “O gosto do saké” (1962), Yasujirô Ozu estar de regresso aos cinemas portugueses com um ciclo no Espaço Nimas (com uma breve passagem, em agosto, pelo Theatro Circo, Braga, e, em setembro, também pelo portuense Teatro Municipal Campo Alegre), que, a partir de hoje, exibirá três das mais esplendorosas longas metragens da fase final da sua filmografia, agora em versões restauradas digitalmente. “A flor do equinócio” (1958), “Bom dia” (1959) e “O fim do outono” (1960) são três dos apenas seis filmes que Ozu dirigiu a cores. Talvez por esse motivo, as três obras que agora iluminam a sala do Nimas parecem sublinhar e consolidar as particularidades que distinguem a vasta carreira do realizador, não somente quanto às escolhas narrativas – o tema da família e das Continue reading

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“O grande mestre”, de Wong Kar-wai

capa o grande mestre

 

Estamos perante um modo peculiar de recontar a odisseia de Ip Man (1873 / 1972), o lendário mestre de artes marciais, pelos enleios das quatro estações do ano, sob o molde de capítulos emocionais da vida daquele que foi o mentor de Bruce Lee. Uma vez mais, é a eloquência sem palavras da linguagem do amor que continua a centrar o argumento do autor de “Disponível para amar” (2000). Porém, são os faustosos e complexos silogismos do movimento dos corpos na Continue reading

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“O sonho de Wadjda”, de Haifaa Al-Mansour

haifaa al mansour o sonho de wadjda

 

Sublinhemos dois factos que conferem a “O sonho de Wadjda” uma singularíssima identidade: trata-se do primeiro filme inteiramente rodado na Arábia Saudita e da primeira longa metragem dirigida por uma mulher saudita. Que o seu tema seja uma história feminina, eis o que apenas reforça a sua importância simbólica. Aliás, de forma talvez mais precisa, devemos dizer que se trata de uma história conjugada no feminino, questionando as fronteiras da vida quotidiana de uma personagem muito concreta — chama-se Wadjda, tem 11 anos e quer uma bicicleta… A simples manifestação de tal desejo basta para Continue reading

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Passatempo “O sonho de Wadjda”, de Haifaa Al-Mansour

haifaa al mansour wadjda

 

O Cria Cria tem para oferecer, com a amável colaboração da distribuidora Alambique, dois convites duplos para a antestreia do filme “O sonho de Wadjda”, de Haifaa Al-Mansour, que tem estreia nacional marcada para a próxima quinta feira. A antestreia terá lugar na terça feira, 18 de março, às 21.45, no cinema City Alvalade, Lisboa. Para receber um destes prémios, basta que Continue reading

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“Lições de harmonia”, de Emir Baigazin

emir baigazin harmony lessons

 

Uma ideia muito simples, porventura naïf: é no cinema que continuamos a encontrar alguns dos mais belos equilíbrios entre a afirmação do particular e o reconhecimento do universal. “Lições de harmonia” surge como um esclarecedor sintoma de tal poder: por um lado, a história do jovem Aslan (Timur Aidarbekov) está toda ela ligada aos sinais enigmáticos, alguns deles impenetráveis, da Continue reading

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“The Monuments Men – Os caçadores de tesouros”, de George Clooney

george clooney the monuments men

 

Infelizmente, a “fama” mediática é uma qualidade (?) que tende a diminuir as qualidades de alguns dos que exalta. George Clooney, por exemplo: a sua obra como realizador continua a ser mal conhecida ou simplesmente arrumada como descartável. Depois de “Nos idos de março” (2011), aí o temos a dirigir este “The Monuments Men”, apostado em resgatar um Continue reading

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“Her – Uma história de amor”, de Spike Jonze

spike jonze her

 

“O amor é dar o que não se tem a alguém que não o quer” — esta formulação de Jacques Lacan poderia servir de subtítulo ao filme de Spike Jonze. Porque, de facto, por uma vez, o subtítulo português não é abusivo, apontando para o cerne da questão. A saber: a desproporção material e Continue reading

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“Um segredo do passado”, de Jason Reitman

jason reitman labor day

 

O triângulo do romance de Joyce Maynard (“Labor Day”) em que Jason Reitman se baseou nasce de uma dinâmica dramática com algo de surreal, envolvendo um homem fugido da justiça (Josh Brolin) que se insinua na casa de uma mulher divorciada (Kate Winslet) que, por sua vez, vive com o filho de 13 anos (Gattlin Griffith). No sentido mais genuíno do termo, é um triângulo amoroso, mas não apenas porque as relações entre os Continue reading

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“Ao encontro de Mr. Banks”, de John Lee Hancock

john lee hancock saving mr banks

 

Em causa estão as atribulações da produção de “Mary Poppins” (1964), opondo o conceito de espetáculo do próprio Disney ao purismo conceptual de que P. L. Travers, autora dos livros, não queria abdicar. De qualquer modo, para além (ou através) desse confronto de Continue reading

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“Temporário 12”, de Destin Daniel Cretton

destin daniel cretton short term 12

 

O trabalho de Destin Daniel Cretton, retomando a temática da curta-metragem homónima que o revelou na edição de 2009 do Festival de Sundance, envolve um dos grandes sintomas transversais da atualidade. A saber: a revalorização do ator como elemento nuclear do dispositivo cinematográfico e também da sua intransigente dimensão humana, tendencialmente humanista, impossível de reduzir a quaisquer proezas (mesmo as mais fascinantes) dos tão celebrados efeitos especiais. Brie Larson, no papel de Grace, uma jovem assistente de uma instituição de apoio a adolescentes em situação de risco, pode servir de Continue reading

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“Tal pai, tal filho”, de Hirokazu Kore-eda

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Talvez possamos definir a dramaturgia dos filmes do japonês Hirokazu Kore-eda como um subtil trabalho de criação de novas formas de verosimilhança. Recorde-se, por exemplo, a odisseia das crianças de “O meu maior desejo” (2011): acreditam que se desejarem que os pais separados voltem a viver juntos no preciso momento em que contemplam o cruzamento de dois comboios de alta velocidade, então o seu desejo será concretizado… Que faz, então, Kore-eda? Filma esse ritual à letra, sem distanciamento paternalista nem humor forçado. Algo de semelhante acontece em “Tal pai, tal filho”. É certo que a notícia de que os filhos de dois casais foram Continue reading

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“O grande mestre”, de Wong Kar-wai

wong kar wai the grandmaster

 

Talvez seja inevitável classificar “O grande mestre” como uma surpresa, com tanto de desconcertante como de fascinante: um espetáculo de artes marciais centrado na personagem verídica de Ip Man (1893 / 1972), referência lendária entre os mestres do kung fu, tendo tido Bruce Lee como um dos seus alunos. Em boa verdade, o filme tem muito pouco de Continue reading

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“2001: Odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick

stanley kubrick 2001 a space odyssey

 

Este é um ensaio sobre a infinita complexidade do fator humano que, numa dicotomia célebre, Kubrick coloca entre duas balizas simbólicas: no princípio, a formação das primeiras comunidades de macacos; no final, no arranque do séc. XXI, a viagem a caminho de Júpiter, numa nave gerida pelo enigmático HAL 9000, por certo o mais lendário computador de toda a história dos filmes. Rever, agora, esta obra-prima numa sala escura, em cópia digital, eis um Continue reading

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“Baby Taz”, “Silvestre e Saltitão” e “Tom e Jerry – Aventura gigante”

capa baby taz

 

Como já se diz pelas ruas, clássico é clássico. E as personagens de animação da Looney Tunes encontram-se nessa distinta categoria. De Bugs Bunny, Daffy Duck e Porky Pig, a Sylvester e Tweety, ou a Bip Bip e Coiote, essas divertidas figuras fizeram parte da infância de quase toda a gente e ainda hoje permeiam as aventuras imaginadas pelas crianças. A história da Looney Tunes teve a sua origem no início da década de 1930, pela mão dos animadores Hugh Harman e Rudy Ising (vindos da “escola” Walt Disney), contratados pelo produtor Leon Schlesinger. Foi no decurso dessa década que nasceram os protagonistas desta odisseia televisiva que Continue reading

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“Lore”, de Cate Shortland

capa cate shortland lore

 

Estamos perante um objeto de paradoxal fascínio. Cate Shortland filma a odisseia de uma família alemã no momento de Continue reading

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“Fuga”, de Jeff Nichols

jeff nichols mud

 

Desconcertante visão: num tempo em que predominam os heróis mais ou menos super, mais ou menos digitais, Jeff Nichols propõe um regresso à terra. Em sentido literal e simbólico. “Fuga” é uma desencantada crónica sobre uma América enquistada no tempo, um país de lugares enigmáticos e envolventes, por vezes inquietantes, onde o protagonista de nome Mud tenta encontrar um lugar em que as suas culpas possam ser redimidas. Que sejam dois rapazes a Continue reading

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“Raptadas”, de Denis Villeneuve

denis villeneuve prisoners

 

O Mal não é uma “coisa” que, de vez em quando, perturba o funcionamento das relações sociais, mas sim uma energia que pertence à própria sociedade e à fragilidade dos seus valores. Não admira, por isso, que este seja um filme que valoriza a Continue reading

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“Abelhas e homens”, de Markus Imhoof

markus imhoof more than honey

 

Eis uma curiosa interrogação cinematográfica: como seguir o movimento das abelhas? Graças à sofisticada evolução de câmaras e objetivas, Markus Imhoof pode dar uma resposta de espetacular exuberância: desde as tarefas da polinização até aos rituais no interior das colmeias, passando pelos voos com Continue reading

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“Gravidade”, de Alfonso Cuarón

alfonso cuaron gravity

 

Paradoxo essencial: o cinema a três dimensões não se limita a alterar a composição do espaço; todo o seu aparato (incluindo os óculos que o espetador tem de usar) implica uma nova conceção do tempo, quer dizer, das durações através das quais elaboramos a nossa perceção do… espaço. Depois de Steven Spielberg (“As aventuras de Tintin – O segredo do Licorne”) e Martin Scorsese (“A invenção de Hugo”), Alfonso Cuarón surge como um dos poucos cineastas a refletir sobre as subtis implicações de tudo isso: “Gravidade” é um filme em que o 3d não se apresenta como um complemento mais ou menos pitoresco da ação física, servindo antes para Continue reading

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