Tag Archives: a partir dos 7 anos

“Abelhas e homens”, de Markus Imhoof

markus imhoof more than honey

 

Eis uma curiosa interrogação cinematográfica: como seguir o movimento das abelhas? Graças à sofisticada evolução de câmaras e objetivas, Markus Imhoof pode dar uma resposta de espetacular exuberância: desde as tarefas da polinização até aos rituais no interior das colmeias, passando pelos voos com Continue reading

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Presente perfeito, pelo Dia Mundial da Criança 2013 [a partir dos 5 anos]

capa nicomedes o careca pormenor

 

Procuramos prodigiosos presentes propostos prá prole privilegiada – primorosas princesas ou principiantes prestidigitadores -, premissa prioritariamente projetada, protegida e promovida pelos prezados progenitores percetores Continue reading

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Clarice Lispector: uma exposição e quatro livros

clarice lispector 1

 

Diz Clarice Lispector: “Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em Continue reading

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“Contos da infância e do lar”, dos Irmãos Grimm

irmaos grimm

 

No âmbito do bicentenário da publicação em língua alemã do primeiro volume dos “Kinder- und Hausmärchen” (1812), a Temas e Debates lançou neste ano a primeira edição portuguesa integral destes famosos “Contos da infância e do lar” da autoria dos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm. Em três grossos e Continue reading

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Presente perfeito, pelo Natal 2012 [a partir dos 6 anos]

capa aves pormenor

Como já se tornou um hábito, não poderíamos chegar ao Natal sem dizer “presente!” – por isso, aqui estamos com as nossas escolhas de presentes para distintos gostos e feitios, unidos pelas doses inesquecíveis de magia e beleza que acrescentarão ao sonho das crias que mais amamos. Continue reading

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“Os Smurfs”, de Raja Gosnell

 

Cerca de 50 anos depois do seu nascimento pela mão do ilustrador belga Peyo (Pierre Culliford), as minúsculas criaturas azuis – exatamente da altura de uma maçã – regressaram em massa ao nosso imaginário no ano passado. Os originais Les Schtroumpfs (em Portugal, os inesquecíveis Estrumpfes) percorreram primeiramente as Continue reading

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“Tarefas infinitas”, na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

 

A nova mostra que o Museu da Fundação Calouste Gulbenkian apresenta ao público nesta sexta feira (e que aí estará patente até ao mês de outubro) inscreve-se como uma proposta de ensaio e reflexão sobre as inumeráveis potencialidades semânticas e dialógicas do livro enquanto objeto de arte. Partindo do seu caráter matérico, averigua-se a hipótese do homem se alcançar ao infinito pelo finito. O livro, o conhecimento e a arte são um dever comum que Continue reading

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Presente perfeito, pelo Dia Mundial da Criança 2012 [a partir dos 6 anos]

 

Entre uma ansiedade manifesta, que faz o coração transbordar de tamanha curiosidade, e um silêncio tímido, a expetativa por um Dia da Criança perfeito é comum. Por isso mesmo, e para que com as nossas crias possamos fazer perdurar esta celebração da vida que elas nos acrescentam, aqui se elencam as nossas escolhas de presentes para satisfazer a Continue reading

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“minhamãe”, de Eugénio Roda e Gémeo Luís

 

As montras resplandecem de cor de rosa, cartõezinhos e coraçõezinhos, bonequitos e versitos, dos clássicos aos humorísticos ou aos do mais absoluto mau gosto, de excertos de grandes poemas a más traduções de discutíveis aforismos de sábios pensadores. E depois temos a mercadoria vária, do “exfoliante vibrante que deixa os pés macios num instante” à zombeteira caneca ou ao ursinho contrafeito agarrado a uma túrgida almofada em forma de coração. Não há escola ou jardim de infância que se não afadigue, ano após ano, a criatividade desgastada, formaldeída e formulaica, literalmente obrigando grupos e grupos de crianças, sob pressão, a produzir “prendinhas” em série e sem sentido, em Continue reading

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Presente perfeito, pelo Natal 2011 [a partir dos 7 anos]

[primeiro ano] [a partir dos 12 meses] [a partir dos 2 anos] [a partir dos 3 anos] [a partir dos 4 anos] [a partir dos 5 anos] [a partir dos 6 anos]

 

São escolhas do passado recente, são escolhas de presentes, mas são sobretudo escolhas de futuro. O Natal é só um (feliz) pretexto. Felizes pretextos para os vermos ainda mais felizes. Por agora, as nossas escolhas para crianças a partir dos sete anos. Continue reading

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“O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

Não é uma janela qualquer. “Essa” janela, a que se referem a escritora Isabel Minhós Martins e a ilustradora Madalena Matoso, é a janela que, do Museu da Luz, planamente enquadra o olhar sobre a paisagem alentejana que, há quase dez anos, aninhava ainda a pequena Aldeia da Luz, desaparecida sob as águas da barragem do Alqueva. Nessa altura, a Aldeia da Luz protagonizou incontáveis títulos de jornais: a “tragédia” Continue reading

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“Emigrantes”, “A árvore vermelha” e “Contos dos subúrbios”, de Shaun Tan

 

Era uma livraria pequena, discreta, montra de dois painéis de vidro, molduras de madeira pintada de um tom desbotado. No interior, as prateleiras escuras aconchegando policromias encadernadas, uma mensagem de boas vindas, e uma nota: “spectacular bargains to be found in the basement”. De olhar focalizado nas Continue reading

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“O livro das caras”, de Claire Didier com ilustrações de Beppe Giacobbe

“Quem vê caras não vê corações”? “O rosto é o espelho da alma”? Não é essa a opinião de Caradepau, o guia de “O livro das caras”, de Claire Didier e do premiado Beppe Giacobbe, publicado pela Edicare. Sim, Caradepau é um colecionador e este é o passeio estonteante à sua galeria privada, surpreendente e provocadora. Dividido em cinco secções, e resultante de um notável trabalho colaborativo e gráfico, são centenas as caras, as cabeças, os cérebros, as barbas e os penteados, os adereços e as máscaras que perante nós se pavoneiam em retratos, fotografias, colagens, pinturas e desenhos, percorrendo, sem preconceitos, a ciência e a história da arte, do mundo, e do homem.

Das ressonâncias magnéticas aos jogos, às histórias e curiosidades, dos artistas canónicos aos mais ousados e vanguardistas, dos retratos solenes e sofisticados às fotografias lá de casa, encontramos aqui um impressionante caleidoscópio de estilos, épocas, géneros, modas, geografias, materiais, propostas, questões, informações técnico-científicas, catálogos e imagens, muitas imagens. Na verdade, um repertório tão completo e inteligente quanto divertido, lúdico e interativo, para manipular, para ler, para descobrir a pouco e pouco, sozinhos ou em conjunto, pequenos e grandes. Temos os factos e os conceitos, as imagens e as homenagens, a curiosidade e a diversidade, a aparência e a excentricidade, mas também a emoção, mas também o sonho. Como afirma Joana, de 4 anos, “o sonho vem pela cabeça”. Se encontramos aqui a resposta a muitos “porquês”, muitos mais “porquês” nos vêm à cabeça.

Não, este “O livro das caras”, não nos deixou com cara de parvos, a coçar a cabeça, sem saber para onde a virar. Pelo contrário. Por que é que não começam já a criar o vosso próprio livro de caras? Talvez começar pelo vosso Facebook? Foi só uma ideia que nos veio à cabeça…

 

livro “O livro das caras”, de Claire Didier com ilustrações de Beppe Giacobbe
Edicare, 2010
[a partir dos 7 anos]

 

 

Paula Pina

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“O livro do buraco”, de Peter Newell

Nasceu no Illinois, nos Estados Unidos, numa terreola que nem nome tinha (mas que era conhecida entre os locais como Gungiwam), e na única habitação a que se podia chamar verdadeiramente “casa” (as restantes eram cabanas de toros), mas o que é certo é que o talento do jovem Peter Sheaf Hersey Newell (1862-1924) cedo começou a dar nas vistas. Desenhava em tudo o que era sítio, da porta do celeiro às rodas das carroças, das paredes e tecidos que conseguia arranjar ao quadro negro da escola. Na verdade, um dos episódios que terá marcado a sua primeira e pouco auspiciosa passagem de apenas um semestre pela Art Students League, em Nova Iorque, foi a façanha de ter desenhado um gato morto na bandeja que um criado, contratado como modelo pela escola, trazia na mão e que utilizava para posar para a turma de desenho.

 

 

No início do século XIX, a maior parte dos livros destinados a crianças assentava numa base moralista, com mensagens didáticas e exemplares, sobretudo graças ao impacto de grupos religiosos. Em Inglaterra, por exemplo, a sociedade evangélica Religious Tract Society, fundada em 1799, foi uma das primeiras a publicar contos religiosos, seguindo-se histórias de aventuras e, finalmente, em 1879, a revista semanal para crianças “The boys’ own paper”. Mas a partir de 1820/30, a situação começa gradualmente a mudar. Os contos de fadas são editados nas versões de Perrault, dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, e surgem as obras de Lewis Carroll e Edward Lear, de Trackeray, Charles Kingsley, Jean Ingelow e George MacDonald. Em meados de 1880, proliferam as revistas para crianças e jovens, e assiste-se ao florescimento de um mercado em que a ilustração começa a ganhar algum relevo. Produzem-se cada vez mais livros, mais baratos, e com meios de impressão mais sofisticados. Surgem, por exemplo, os “penny dreadful” e os “toy-books”, pequenos livros ilustrados a “six penny” o exemplar, criados por artistas como Walter Crane, Randolph Caldecott e Edmund Evans. Ou seja, Newell encontra-se precisamente no centro desta revolução, assistindo ao nascimento de diversas revistas juvenis, revistas de ficção, cheias de histórias de ação e aventura, episódios caseiros ou crónicas escolares. As crianças e animais são protagonistas de muitas destas aventuras, em que o quotidiano se mistura com um universo paralelo, onírico até. Uma das suas obras mais conhecidas é a banda desenhada “The naps of Polly Sleepyhead”, publicada em diversos jornais entre fevereiro de 1906 e setembro de 1907.

Newell ilustrou Mark Twain, Lewis Carroll e Stephen Crane. Fez parte de uma geração de nomes como A. B. Frost, E. W. Kemble, Maxfield Parrish, Howard Pyle ou Charles Dana Gibson. Os seus desenhos ficaram na história da ilustração e na história de publicações periódicas como a Harper’s Bazar ou a Scribner’s Magazine, e ainda em revistas para crianças, como a Harper’s Young People (mais tarde Harper’s Round Table) ou a St. Nicholas.

Peter Newell entrou como aprendiz, aos 16 anos, numa fábrica de cigarros, até conseguir trabalho como desenhador de retratos a partir de fotografias. Mas como o que queria mesmo era ser cartoonista e ilustrador decidiu enviar, corajosamente, alguns dos seus esboços para a Harper’s Bazar, uma das revistas mais populares na época. Em troca, recebeu um cheque simbólico, acompanhado de uma pequena nota: “Não revela qualquer talento”. Terá sido o suficiente para o fazer decidir partir à aventura para Nova Iorque, em 1882, de onde continuou a enviar desenhos para revistas e jornais: “Quando comecei a desenhar para revistas, havia muito poucas que tinham ilustração. Havia a Harper’s, Scribner’s e a Godey’s – e era tudo. (…) Quando comecei, cultivava não só o meu desenho, mas também a minha imaginação. Tentei desenvolver a capacidade para conceber situações humorísticas… Se um artista tivesse uma ideia que agradasse ao editor, receberia muito mais atenção do que um artista que não tivesse mais do que um bom desenho.”

 

 

De facto, a reputação inicial de Newell deveu-se sobretudo aos seus desenhos cómicos e aos episódios da vida rural, muitas vezes envolvendo personagens afro-americanas, não escapando por isso a acusações racistas e ao epíteto de “sulista”. Aliás, não é por acaso que, em algumas edições americanas, as páginas 36 e 37 de “O livro do buraco”, publicado em 1908, são suprimidas, precisamente pelas suas interpretações politicamente incorretas: o estereótipo de uma “mammy”, uma mulher negra, de avental, brinco de ouro e lenço na cabeça, dirigindo-se a três crianças negras atónitas, apontando, zangada, para o buraco que a bala fez numa grande melancia na prateleira da cozinha, ameaçando com uma “surra” o culpado (“I’d spank de chile dat done dat trick, / Ef I could learn his name”). Repare-se na transcrição que Newell faz (e que Mark Twain teria adorado!) da oralidade típica, não só da “mammy”, mas de várias outras personagens:
– o vendedor de balões da Rússia: “Balloons! Balloons! Who vants to buy?”;
– o líder da banda de música alemã: “You shtart too soon, my friendt— / You make a better plumber!”;
– o velhote turco: “Who put dot bombshell in my pipe? (…) “If I could git my hands on him, / Dere would be vone less joker!”;
– o cavalheiro ofendido: “What do you mean, sir (…) / By knocking off my high silk hat?”

Os próprios nomes que Newell escolhe para as personagens acentuam a vertente cómica, tanto do ponto de vista fonético, como pelas referências sociais tipificadas, o que é algo que se perde quase inteiramente na tradução, por mais bem conseguida que esteja do ponto de vista rítmico. O esforço de criar referências nacionais equivalentes para este universo tão especificamente anglo-saxónico pode encontrar-se na adoção do diminutivo Nando, na exclamação “Tou salvada!”, proferida pela senhora Silverman, na utilização da expressão idiomática “dando às de vila diogo”, na designação de “zé-pereira” para o músico da banda, ou no nome “Pedrês” para o cão.

Na linha das histórias de prevenção e infortúnio, a componente exemplar de alerta quanto aos perigos decorrentes da manipulação de armas de fogo acaba por ser subvertida, graças à utilização da sequência repetitiva de justaposição de acidentes, sustos e surpresas que o perigoso descuido do pequeno Tomás Potts provoca.

Se já conhecíamos “O livro inclinado” (Orfeu Mini, 2008), que é mesmo inclinado, e temos agora “O livro do buraco”, que tem mesmo um buraco, resta-nos aguardar a publicação local de outros livros desta série criada por Peter Newell: “Topsys and Turvys” (1 e 2) e “The rocket book”.

 

livro “O livro do buraco”, de Peter Newell
Libri Impressi / Gradiva, 2011
[a partir dos 7 anos]

 

Paula Pina

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