Tag Archives: Bernardo Carvalho

Coletiva “Ilustrarte ’14” no Museu da Eletricidade, Lisboa

ilustrarte 14

 

A sexta edição da Ilustrarte, Bienal Internacional de Ilustração Para a Infância, foi inaugurada ontem no fabuloso cenário industrial do Museu da Eletricidade, em Belém, e pode ser visitada, gratuitamente, até 13 de abril. O espaço interior da exposição consegue ser original e prático, ao contrário da edição anterior, na qual as mesas de pé alto, com gavetas, iluminadas por candeeiros, tornavam a visibilidade difícil para os mais pequenos. Preparem-se pois, agora, grandes e pequenos, para a descoberta das ilustrações em Continue reading

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“Biblioteca Fnac Kids – 100 livros que crescem contigo”

biblioteca fnac kids 100 livros que crescem contigo

 

Uma ideia, quando é válida, pode e deve repetir-se. É esse o caso do simpático guia “Biblioteca Fnac Kids – 100 livros que crescem contigo“, num formato prático e sintético, que a Fnac acabou de lançar, aparentado com aqueloutro, saudoso já, elaborado pela equipa do Projeto Gulbenkian / Casa da Leitura. Se nem sempre os critérios de seleção são irrepreensíveis, se faltam ilustradores de relevo ou uma revisão de texto mais cuidada, assumidas as Continue reading

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“O mundo num segundo”, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho e “O que há”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

capa o mundo num segundo

 

Duas propostas fabulosas da Planeta Tangerina, dois livros que nos convidam – com a inteligência surpreendente a que a editora de Carcavelos já nos habituou – a olhar o tempo: “O mundo num segundo”, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, já premiado em 2008 e agora sabiamente reeditado num formato maior, que permite ao leitor, tenha ele a idade que tiver, mergulhar nas Continue reading

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“A minha primeira cozinha tradicional portuguesa”, de Maria de Lourdes Modesto, Gisela Miravent e Bernardo Carvalho [no Carrossel com Sara Amado]

carrossel 2013 sara amado 5

 

Um dia disse-me o B, com ar visivelmente preocupado, que quando crescesse iria ter sempre de comer em restaurantes. E porquê? Porque não sabia cozinhar. Eu expliquei-lhe que aos oito anos ainda tinha tempo de aprender. Com ar apressado, perguntou: “mas Continue reading

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Livros que cheiram a mar

praia mar 11

 

Para levar na bagagem, para antes, durante ou depois de um belo dia de praia, aqui ficam algumas sugestões de livros de autores portugueses com o mar como cenário – do álbum à novela, do conto à poesia e ao teatro, para os mais pequenos e para os mais crescidos, grandes e assim-assim. Obras para Continue reading

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“Irmão Lobo”, de Carla Maia de Almeida e António Jorge Gonçalves, e “O caderno vermelho da rapariga karateca”, de Ana Pessoa e Bernardo Carvalho

capa irmao lobo

 

“Irmão Lobo” chega-nos agora na sequência do fabuloso “O caderno vermelho da rapariga karateca” (2012), da contista premiada Ana Pessoa, que com ele se estreou no romance juvenil, inaugurando com chave de ouro (e com Prémio Branquinho da Fonseca 2011) a coleção que a editora Planeta Tangerina destina aos jovens: Dois Passos E Um Salto. A aceção de destinatário, neste caso, não restringe, antes reforça a ideia de que não há efetivamente idade certa ou errada para Continue reading

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“O caderno vermelho da rapariga karateca”, de Ana Pessoa e Bernardo Carvalho [no Carrossel com Maria João Caetano]

 

“Eu não sou uma menina, sou karateca: o meu maior sonho é ter cinturão negro e ganhar os campeonatos todos de karaté. Tenho um nome, mas estou farta dele (só na minha turma há mais sete raparigas com o mesmo nome que eu). Sou a N. N é a segunda letra do meu nome.” Está apresentada esta menina de 14 anos que um dia comprou um Continue reading

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“Pê de pai”, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho [no Carrossel com Cristina Amorim e Cristina Abranches]

 

Não é propriamente um livro novo, mas o “Pê de pai” é para nós uma referência. As poucas mas eloquentes palavras de Isabel Minhós Martins combinadas com as Continue reading

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Histórias sem letras [no Carrossel com Rita Cavaco]

 

A produção da imagem como contadora de histórias tem chegado até nós através da pintura, da fotografia e, mais tarde, do cinema (ainda que, aqui, dinamizada pelo movimento e pela música). Nos livros, por contraste, as imagens são, geralmente, esperadas como complemento do texto e não tanto como a única linguagem disponível. Para várias idades, uns mais dramáticos que outros, os livros de histórias sem letras, pelas releituras que exigem e por possíveis interrogações que vão suscitando, são um Continue reading

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“Um livro para todos os dias” e “Ir e vir”, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho

 

A aguardada reedição de “Um livro para todos os dias”, embora num formato ligeiramente maior, continua a exercer o seu encanto, indiferente a quaisquer destinatários preferenciais: esconde-se na gaveta da mesa de cabeceira, espreita na mala, escorrega da pasta, disfarça-se de manual. Pode ler-se em voz alta (cantado, declamado, gritado!) ou segredar-se ao ouvido. Pode até prescrever-se como remédio contra Continue reading

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“Praia mar”, de Bernardo Carvalho

 

“Um livro de imagens [como este] pode ser um objeto estranho” e um desafio tamanho. Aceitámos esse desafio e o resultado foi o que se segue: uma leitura-escrita alheia de textos e poemas de outros-feitos-nossos juntam-se às belíssimas imagens de Bernardo Carvalho que selecionámos. De facto, no álbum “Praia mar”, “as palavras não estão à vista nas páginas”, mas a elas se podem colar, no topo, nas margens, como post-it-legenda, como notas de viagem pela imagem.

 

Alguns poemas, seguros, agarram-se às páginas como lapas, resistindo a cada investida da maré; outros, arriscam um lamber das margens, em impalpáveis carícias de espuma; outros ainda, atravessam a página em corridinhas esquivas e tolas de caranguejo. Poemas há que enterram os pés na página enquanto outros parecem boiar, hesitantes, em vai-e-vem de onda. Também os destinatários desta obra podem ser apenas leitores-ledores-escritores: crianças, jovens, adultos, não importa. São-no, em balançar de marés.

 

 

“Era uma praia muito grande e quase deserta onde havia rochedos maravilhosos. Mas durante a maré alta os rochedos estavam cobertos de água. Só se viam as ondas que vinham crescendo do longe até quebrarem na areia com um barulho de palmas. Mas na maré vazia as rochas apareciam cobertas de limo, de búzios, de anémonas, de lapas, de algas e de ouriços. Havia poças de água, rios, caminhos, grutas, arcos, cascatas. Havia pedras de todas as cores e feitios, pequeninas e macias, polidas pelas ondas. E a água do mar era transparente e fria. Às vezes passava um peixe, mas tão rápido que mal se via. Dizia-se ‘vai ali um peixe’ e já não se via nada.”

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “A menina do mar”

 

 

Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos.
Puseram-se a contar pelos dedos os barcos
que faltariam para chegar o verão.

Nenhum deles falava. Tinham passado juntos
algumas noites; num quarto sem vista. E, embora
julgassem o contrário, não conheciam um do outro
muito mais do que isso.

Estavam ali sentados para ver se acontecia alguma coisa.

No verão
alguém viria forçosamente buscá-los.

 

Maria do Rosário Pedreira, in “A casa e o cheiro dos livros”

 

 

À volta de um búzio

 

Dizem que o búzio nos traz
ao ouvido o som do mar.
Mas eu acho que é mentira:
se encosto o búzio ao ouvido
só ouço as ondas do ar.

As ondas do ar me trazem
forte cheiro a maresia.
Mas eu acho que é mentira:
o mar não mora nas nuvens,
nunca em nuvens viveria.

Descem as nuvens no mar
se acaso a chuva acontece.
Mas eu acho que é mentira:
se encosto o búzio ao ouvido,
ouvir o mar me parece.

 

Maria Alberta Menéres, in “Conto estrelas em ti”

 


Os peixes

 

Dormem numa cama de algas
entre rochas e corais
só não podem bronzear-se
na extensão dos areais

Porque peixes fora de água
não conseguem respirar
mexem as guelras depressa
e voltam logo ao mar

Os peixes de muitas cores
das águas fundas dos mares
sabem por ovos fresquinhos
com peixes aos milhares
(…)

 

José Jorge Letria, letra de uma canção escrita para o programa de televisão “A arca de Noé”

 


Mar

 

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

 

Sophia Mello Breyner Andresen, in “Signo”

 


Sereia

 

A sereia nunca mente
quando, cantando, se mexe.
Pra cá da cintura é gente
pra lá da cintura é peixe.

Se alá da cintura é peixe
e acá da cintura é gente,
canta, e se ao cantar se mexe,
a sereia nunca mente.

Nem eu cuido que haja guerra
nessa maneira de estar
com a voz lançada à terra
pelos caminhos do mar.

Os caminhos são do mar
sim, mas a voz é da terra
e nessa forma de estar
tudo haverá menos guerra
nem aberta, nem secreta,
por ter sido ou por achar

é tudo a voz do poeta
quando se põe a cantar.

 

Mário Castrim, in “Conto estrelas em ti”

 

 

Espuma

 

Mais leve que a pluma
Que no ar balança,
Pela praia dança
A ligeira espuma.
Dançando se afaga
No alado bailar!
Pétalas de vaga, poeiras do mar…

E na dança etérea,
Que imparável ronda!
Bafo de matéria,
Penugem da onda.

 

Afonso Lopes Vieira, in “Poesia portuguesa para crianças”

 

 
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

 

Carlos Drummond de Andrade, in “Amar se aprende amando”

 


Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves – só
alma e brancura.
Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam,
exaltam o silêncio.
Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto
puríssimo, doirado.

 

Eugénio de Andrade, in “Mar de setembro”

 


Liberdade

 

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

livro “Praia mar”, de Bernardo Carvalho
Planeta Tangerina, 2011
[a partir dos 18 meses]

 

 

Paula Pina

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