Tag Archives: Catarina Sobral

Orfeu Mini Livraria

orfeu mini livraria 1

 

É a editora de livros portuguesa que mais consenso reúne entre crianças que sabem o que querem e pais que sabem o que fazem – e vice-versa… E agora, durante dois breves mas felizes meses, é também a livraria que melhor celebrará essa vocação convergente de excelência. A Orfeu Negro – que através da sua coleção Orfeu Mini tem vindo a publicar desde há meia dúzia de anos obras viciantes de autores como Oliver Jeffers, Catarina Sobral, Benjamin Chaud, Javier Sáez Castán, Jon Klassen, Beatrice Alemagna ou William Wondriska – tem temporariamente as portas abertas no número 171-A da Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, Lisboa, num espaço que ocupa entre o Continue reading

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“Vazio”, de Catarina Sobral, e “Capital”, de Afonso Cruz

capa catarina sobral vazio

 

Depois do auspicioso início da coleção Imagens Que Contam – com “Bestial”, de André da Loba, e “Sombras”, de Marta Monteiro -, a editora Pato Lógico lança “Vazio”, de Catarina Sobral, e “Capital”, de Afonso Cruz. Apesar da capa cartonada e do formato maior, a ligação é inequívoca: o título fornece a palavra-chave que nos permite ler as histórias apenas através de imagens, libertando-nos da materialidade verbal da narrativa. Em Afonso Cruz, destaque-se o uso que o ilustrador faz das cores planas, atente-se nas subtilezas de sombras e traços ou na força expressiva minimal dos olhares, que nos abrigam do cliché temático que Continue reading

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“O meu avô”, de Catarina Sobral, vence principal prémio de ilustração da Feira de Bolonha

capa o meu avo

 

Mais uma notícia de máxima relevância para a ilustração portuguesa: a autora Catarina Sobral foi a vencedora do 5º Premio Internazionale d’Illustrazione Fiera del Libro per Ragazzi – Fundación SM 2014, atribuído hoje em Bolonha, Itália, com a sua mais recente obra, “O meu avô”, que aqui destacamos há poucas semanas. O livro concorreu com outros 3189 participantes, oriundos de 59 países, triunfando graças à Continue reading

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Passatempo “O meu avô”, de Catarina Sobral

catarina sobral o meu avo 2

 

O Cria Cria tem para oferecer, com a amável colaboração da editora Orfeu Negro, três exemplares do livro “O meu avô”, de Catarina Sobral, à venda desde hoje. Para receber um destes álbuns, basta que Continue reading

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“O meu avô”, de Catarina Sobral

capa o meu avo

 

O lançamento do terceiro livro de Catarina Sobral (nascida em 1985), intitulado “O meu avô” e editado pela Orfeu Negro, está agendado para este próximo domingo, 9 de fevereiro, pelas 15:30, num evento com entrada livre, na emblemática livraria Ler Devagar (Lx Factory, em Alcântara, Lisboa). Preparem-se os admiradores da autora para uma sessão de deslumbramento, refrescante de simplicidade, inteligência e arte. Já aqui dedicámos espaço ao comentário dos seus álbuns anteriores: “Greve” e “Achimpa”. Com “O meu avô”, Sobral parece abandonar as ousadias gráficas e Continue reading

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“Biblioteca Fnac Kids – 100 livros que crescem contigo”

biblioteca fnac kids 100 livros que crescem contigo

 

Uma ideia, quando é válida, pode e deve repetir-se. É esse o caso do simpático guia “Biblioteca Fnac Kids – 100 livros que crescem contigo“, num formato prático e sintético, que a Fnac acabou de lançar, aparentado com aqueloutro, saudoso já, elaborado pela equipa do Projeto Gulbenkian / Casa da Leitura. Se nem sempre os critérios de seleção são irrepreensíveis, se faltam ilustradores de relevo ou uma revisão de texto mais cuidada, assumidas as Continue reading

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“Achimpa”, de Catarina Sobral

capa catarina sobral achimpa

 

Já aqui demos espaço à obra de estreia de Catarina Sobral, “Greve” (2011), sublinhando o modo como esta jovem ilustradora-escritora se revelava uma exímia manipuladora do texto-palavra-imagem, jogando com as suas múltiplas dimensões significantes de uma forma original. Mais do que uma ilustradora, mais do que uma escritora, Sobral apreende cada mínima unidade conceptual sincrética do que é Continue reading

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Maria João Worm, Prémio Nacional de Ilustração

 

O Prémio Nacional de Ilustração de 2011 foi hoje atribuído a Maria João Worm, pelo livro “Os animais domésticos”, com imagem e texto de sua autoria. Publicada no ano passado pela Quarto de Jade, a editora fundada pela ilustradora, esta obra reúne linogravuras que Worm produziu na década de 80, e retrata de uma forma muito íntima o dia a dia de uma série de animais feito humanos na “lida da casa”, a realizar algumas tarefas domésticas como costurar, passar a ferro ou estender a roupa. O traço e a mancha não alinhados, bem como o texto sintético deste livro, oferecem espaço à Continue reading

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Três novidades da Orfeu Mini anunciadas para a rentrée

 

Para os meses de setembro e outubro, a Orfeu Mini, “livros ilustrados para miúdos e graúdos” (segmento do livro infantil, gráfico e de ilustração da magnífica editora Orfeu Negro), promete mais algumas histórias mirabolantes, gravuras tão divertidas e singulares quanto todos aqueles que as leem, e o regresso de alguns autores que nos marcaram em anos recentes. Para o princípio do outono, teremos “A cantiga do urso”, o primeiro livro de Benjamin Chaud publicado em Portugal, que conta a história de um pequeno urso que decide ir atrás de uma abelha, para, algumas aventuras depois, se reencontrar com o seu pai… Onde? Na ópera… No mês de outubro, serão publicados novos livros de Oliver Jeffers e Catarina Sobral. Depois de Continue reading

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2011 > essencial > literatura > livros > nacionais

 

Uma reflexão e sistematização do que a história fará perpetuar da produção criativa de determinado ano não é, em nosso entender, tarefa que possa ser adequadamente cumprida ainda no decurso desse período ou, sequer, nos dias que se seguem ao seu fim. Por isso, sem as precipitações e as obsessões normativas que regem a quase totalidade das publicações culturais por este mundo dentro, optamos por deixar as obras que mais nos impressionaram e emocionaram em 2011 assentar um pouco da sua intemporalidade nesta primeira meia dúzia de semanas de 2012 – e resumimos, nos próximos dias, o que nos parece ser a essência dessa colheita, os trabalhos aos quais o ano passado merece ficar efetivamente associado. Para inaugurar esta pequena sequência de balanços, a produção literária infantojuvenil de Continue reading

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“Greve”, de Catarina Sobral

 

Dizem os linguistas (“vendo-se gregos”) que as expressões idiomáticas sempre constituíram um problema para a gramática, ou melhor, que a própria definição de idiomaticidade (“deus-nos-acuda”), sendo sobretudo um fenómeno semântico, possuiria aquela caraterística de não composicionalidade, definida em função da convencionalidade. Ou seja, sem conhecimento prévio da regra, como a maior parte das expressões idiomáticas distribuem sentido pelas partes que as compõem, não se curvam à literalidade (“é um ver-se-te-avias”, portanto)…

O que a ilustradora e designer de comunicação Catarina Sobral faz em “Greve”, seu livro de estreia, nesta semana lançado pela Orfeu Mini, é oferecer-nos, “ponto por ponto”, um texto que vai longe na exigência decifrativa e no consequente resultado humorístico. Em primeiro lugar, toda a obra atribui dimensão gráfica a um encadeamento de expressões idiomáticas em torno da palavra “ponto”, que pedem uma leitura atenta; depois, múltiplos textos (subtextos, intertextos, paratextos e metatextos) se esgueiram, se infiltram, se revelam ou escondem, sublimemente descarados e disponíveis para a sorridente descoberta simultânea, algures nas ilustrações. Num primeiro nível, surgem referências artísticas ousadas: à obra “Ulysses” e à figura de James Joyce, à obra de Amadeo de Souza-Cardoso, Fernando Pessoa e à “Orfeu”, à peça shakespeariana “Hamlet” (desta feita não com a caveira na mão, mas brandindo uma tíbia); num outro nível, encontramos referências a objetos, marcas e produtos que podem passar despercebidos a quem não pertenceu à geração dos automóveis “Carocha”, dos eletrodomésticos Miele, Lavamat ou Minerva, a todos os que não usaram detergente Rinso, aos que não leram a Burda nem a Crónica Feminina, a quem não estudou pelos antigos compêndios para o ensino liceal e por sebentas científicas em carteiras com tampo de abrir, com buraco para colocar o tinteiro, aos que não fizeram as contas do mês com caneta de aparo, a todos os que não reconhecem as amarelecidas folhas dos cadernos e mapas, os catálogos, fotografias e guias, a sépia e a preto e branco…

 

 

Parte da originalidade subversiva de Catarina Sobral deve-se às sobreposições de elementos gráficos e de perspetivas, às colagens originais de efeitos inesperados, aos jogos constantes com o nonsense. “Greve” é uma narrativa fílmica e dinâmica, em que todos os elementos, mesmo os balões de banda desenhada, parecem estar em cada página apenas de passagem, vindos de algum lado e dirigindo-se para outro lado qualquer. Personagens sem rosto ou de rostos alongados, minimalizados numa geometria retangular, olhar ciclópico, de traço infantil, meio centopeia, meio protozoário, penteados “à garçonne”, seguindo o figurino das revistas para “a mulher moderna” da época, são expressivas nas suas conversas mudas e gestualidade rígida. Repare-se ainda na inteligente ironia de incluir a ficha técnica no corpo da narrativa, apresentando-se um excerto de página de jornal fictício anunciando a data de lançamento da própria obra (hoje, dia 29 de outubro, na Biblioteca Camões, Lisboa), ou anunciando o tão esperado livro “Oinc! A história do Príncipe-Porco”, com litografias de Paula Rego e texto de Isabel Minhós Martins, a partir de um conto de Straparola, que a editora publicará daqui a poucas semanas. Mas o mais significativo nesta “Greve” é o facto de, mesmo que o leitor não esteja familiarizado ou desconheça as referências sofisticadas, mesmo que não descubra os detalhes culturais, mesmo que os anacronismos não suscitem um sorriso mais rasgado, a leitura continuar a resultar.

 

 

Exibindo uma vertente política, panfletária até, na escolha das cores e nas referências, “Greve” é cómico e provocador, numa época de agitação económica e social, como é esta que vivemos, brincando inclusivamente com os efeitos do marketing na atribuição de prémios, com catalogações arbitrárias, com suspeitas inclusões ou exclusões em Planos Nacionais seja do que for: “Pointless award”, “Melhor livro desde maio ’68”, “Prix OhhhMonDieu!” e “Recomendado pelo PNC* Plano Nacional de Costura”…

Acaso ou não, o que é certo é que, no nosso exemplar de “Greve”, a ponta de uma linha branca, despontada, espreita na costura que une as páginas de rosto. Terá alguma coisa a ver com o facto de a direção de arte/design ser da responsabilidade da Alfaiataria de Rui Silva? Não queríamos escrever nem mais uma linha, mas gostaríamos mesmo de saber se foi ou não por acaso. Detestamos deixar pontas soltas…

 

livro “Greve”, de Catarina Sobral
Orfeu Mini, 2011
[a partir dos 8 anos]

 

Paula Pina

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