Tag Archives: Davide Cali

Davide Cali: dois livros

capa a rainha das ras

 

O escritor infantojuvenil Davide Cali, um dos mais aclamados da atualidade, já é conhecido do mercado português. Cali nasceu em Liestal, na Suíça, em 1972. Iniciou a carreira na década de 90, quando já vivia em Génova, Itália, concebendo tiras cómicas para a revista Linus. Desde então, escreveu dezenas de livros para o público infantil. A obra de Cali é vasta e indicada para todos os gostos e para diversos escalões etários. Títulos como “Um dia, um guarda-chuva” (Planeta Tangerina, 2011), “Eu espero…” (Bruaá, 2008), “Piano piano” (Gato na Lua, 2012), “O que é o amor?” (Gato na Lua, 2011), “Adoro chocolate” (Kalandraka, 2011), “Quero uma mamã robot” (Horizonte, 2007) e “Um papá à medida” (Ambar, 2007) vão tornar o momento da Continue reading

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“Piano piano”, de Davide Cali e Éric Heliot

 

O autor italo-suíço Davide Cali é já um nome merecedor de confiança no mercado português da literatura infantojuvenil da última meia década. A título de exemplo, relembramos que a Bruaá publicou o seu “Eu espero”, em 2008, a Planeta Tangerina editou “Um dia, um guarda-chuva”, em 2011, e a Gato na Lua, igualmente responsável por este recente “Piano piano”, lançou, também no ano passado, “O que é o amor?”. Nesta obra, o escritor colabora com Éric Heliot, ilustrador francês, para uma humorística narrativa sobre um pequeno rapaz que não lida de forma muito pacífica com o Continue reading

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2011 > essencial > literatura > livros > internacionais

 

Uma reflexão e sistematização do que a história fará perpetuar na produção criativa de determinado ano não é, em nosso entender, tarefa que possa ser devidamente cumprida ainda no decurso desse período ou, sequer, nos dias que se seguem ao seu fim. Por isso, sem as precipitações e as obsessões normativas que regem a quase totalidade das publicações culturais por este mundo dentro, optamos por deixar as obras que mais nos enriqueceram em 2011 assentar um pouco da sua intemporalidade nesta primeira meia dúzia de semanas de 2012 – e resumimos, desde ontem e nos próximos dias, o que nos parece ser a essência dessa colheita, os trabalhos aos quais o ano passado merece ficar efetivamente associado. Ao segundo passo desta pequena sequência de balanços, a produção literária infantojuvenil de autoria estrangeira que Continue reading

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“O que é o amor?”, de Davide Cali com ilustrações de Anna Laura Cantone

 

A jovem e promissora Gato na Lua premiou-nos, até agora, com quatro obras, exemplo do que pretende vir a ser uma visão editorial diversificada: temos de novo à venda “Um lobo culto”, de Becky Bloom e Pascal Biet, uma presença permanente na lista de recomendações do Plano Nacional de Leitura; surge-nos ainda uma nova versão do tradicional “O gato das botas”, com adaptação e ilustrações de Ayano Imai; mas as duas obras que merecem o nosso particular destaque são, inequivocamente, o divertido “O que é o amor?” de Davide Cali, com ilustrações de Anna Laura Cantone, e o belíssimo “O meu balão vermelho”, de Kazuaki Yamada, que aqui apresentaremos em breve.

Davide Cali e Anna Laura Cantone são já bem conhecidos em Portugal: tanto como dupla em “Quero uma mamã robot” (Horizonte, 2007) e “Um papá à medida” (Ambar, 2007), como em outras parcerias de sucesso, nomeadamente “Eu espero” (Davide Cali com Serge Bloch, na Bruaá, 2008), “Um dia, um guarda-chuva” (Davide Cali com Valerio Vidali, para a Planeta Tangerina, 2011); ou “Alice entre as gravuras” (Anna Laura Cantone ilustrando Gianni Rodari para a Dinalivro, 2008) e “Uma noiva bela, belíssima” (Anna Laura Cantone com Beatrice Masini, Horizonte, 2002).

 

 

“O que é o amor?” é um álbum ilustrado para crianças. Correto. Mas apetece-nos pensá-lo como um tratado de filosofia. O título interrogativo, típico das indagações filosóficas mais complexas (na realidade, esta pode ser considerada uma das interrogações chave da história da humanidade), afigura-se igualmente surpreendente e incomodativo quando debitado pela boca de uma criança. Neste caso, se toda a narrativa se constrói cumulativamente em torno da demanda interrogativa da pequena Emma junto do seu núcleo familiar, o que é certo é que chegamos ao final com diversas respostas… mas sem “a” resposta (o que também constitui, em si, uma resposta) e com um convite implícito para que sejamos nós, leitores pequenos e grandes, a criar outras respostas. Confusos?

Apesar de na tradução se perder algo da dimensão poética e rítmica do texto original, cada personagem que surge oferece uma definição de “amor”, simultaneamente concisa e metafórica, uma perfeita analogia em função dos seus interesses e atividades. Define-se o conceito abstrato de “amor” recorrendo à sua objetificação concreta. O resultado é uma compilação delirante e hilariante, sobretudo quando a protagonista reflete maduramente sobre as respostas e decide colocar em prática os ensinamentos. Os binómios seriedade/humor, intensidade/leveza, alegria/ansiedade surgem no texto e são acompanhados pela ilustração. Na verdade, equilíbrio semântico e icónico reforçam a dimensão cómica da obra.

 

 

A ilustração integra detalhes subtis de décor retro e um universo doméstico ultrarromântico, simbólico e feminino, de filigranas de papel, flores e borboletas, numa paleta de cores contida. As imagens pedem tempo para o pormenor. Em torno das figuras espiralam e rodopiam linhas, descobrem-se colagens, cenários e objetos de tecido, fazem-se flores de rosetas de croché, que adicionam textura a elementos já de si dinâmicos. Interessante, ainda, é a utilização de elementos do cenário, como a porta do armário da coleção de carrinhos e a cama, para aconchegar o texto.

 

 

Paradoxalmente, as personagens assumem uma fisicalidade de cartoon, com corpos ora alongados, ora inchados, quase grotescos, e ostentam expressivos rostos de caricatura: os olhos são globosos, esbugalhados, com pálpebras de persiana, os narizes são disformes, as bocas concretizam-se em linhas expressivas ou em lábios clássicos, ou arreganham-se em amplitudes de bocejo ou sorrisos de dentadura completa. Nota-se ainda a irónica marca do universo dos contos de fadas, nomeadamente através de uns estereotipados sapos (ou rãs?), aguardando a chegada do amor, em poses expectantes e compostas. E o que dizer das provocadoras borboletas, irritantes na sua obsessiva e ziguezagueante presença, do princípio até ao fim da obra? Dizem que a borboleta é a metáfora perfeita da teoria do caos, e a ancestral representação da feminilidade e da harmonia conjugal, do amor, do renascimento e da metamorfose. Mas é também o símbolo da paciência para refletir e da demanda.

 

livro “O que é o amor?”, de Davide Cali com ilustrações de Anna Laura Cantone
Gato na Lua, 2011
[a partir dos 4 anos]

 

Paula Pina

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